Sábado, 2 de abril de 2016 - 11h52
Às vezes amanheço especialmente sensível, com o olhar muito mais disposto a captar pequenas coisas da vida, hoje (02-04) quando estava a caminho da rádio para mais um dia de trabalho às 4 horas da manhã, ao parar em um semáforo da cidade me peguei observando um casal que cruzou a minha frente carregando nas mãos apenas um papelão que provavelmente era sua cama de dormir, o que me chamou atenção foi o cuidado que aquele homem tinha com a sua companheira de jornada. Os dois estavam de mãos dadas, o cuidado um com outro era claro na aquele casal, havia algo de mágico e encantador na forma como caminhavam lentos e solidários um com outro.
Aquela cena doce e comovente ficou comigo nas horas seguintes, que me fez pensar em algumas perguntas: há quanto tempo eles estariam juntos? Por que as pessoas vão morar nas ruas? Sei que muitos já tiveram um lar, uma família, amigos, enfim.
Os moradores de rua estão pelas calçadas, dormindo em praças ou debaixo de viadutos, protegidos por papelões e barracas improvisadas. Sem endereço fixo, eles não têm almoços com a família aos domingos.
Entre os caminhos que percorro diariamente na cidade de Porto Velho, presencio inúmeras pessoas sentadas nas calçadas com um olhar distante, como se estivessem mirando o nada, vejo outras pedindo dinheiro no farol e muitas perambulando sem destino, falando palavras desconexas, talvez por estarem sob o efeito de algum entorpecente potencializado pela tristeza e solidão.
Mas o que leva, afinal, alguém a ter essa vida?
Sei que esse processo de exclusão envolve fatores estruturais como ausência de moradia, inexistência de trabalho e renda, dependência química, transtornos mentais, rompimento dos vínculos familiares, perda de todos os bens, entre outras situações. Aí eu te pergunto com a crise política que o nosso país passa, existirá, uma luz, no fim do túnel para os moradores de rua?
Fonte: Jean Carla
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