Porto Velho (RO) quinta-feira, 2 de abril de 2020
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Desvendando o rondoniense - Por Professor Nazareno


Desvendando o rondoniense - Por Professor Nazareno - Gente de Opinião

Já ouvi dizer várias vezes que o brasileiro precisa ser estudado devido às suas inúmeras esquisitices. Resultado do cruzamento genético das três etnias majoritárias da espécie humana: negro, branco e oriental, o cidadão do nosso país de um modo geral, segundo as teorias deterministas mais conservadoras, não tem concorrente no mundo todo. Levando-se em consideração este pensamento quem precisa também ser analisado seriamente é o sujeito nascido em Rondônia, um rincão atrasado, subdesenvolvido e esquecido do restante da humanidade. Se o brasileiro comum é fruto de uma mistura racial, o rondoniense ou rondoniano é fruto da “mistura dessa mistura”. Nem superior nem inferior a nenhum outro povo, mas dono de uma esquisitice tamanha nas suas ações que a Antropologia levaria milênios para compreender como eles ainda sobrevivem.

Muito estranho que os rondonienses tenham como ídolo maior um gaúcho e não um autêntico filho da terra. Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, um preposto da ditadura militar em terras karipunas e que jamais teve um único voto dos eleitores rondonienses, desponta como um verdadeiro Deus por aqui. José Maurício Bustani, diplomata de reconhecimento internacional nunca foi citado pelos moradores locais. Raríssimos rondonienses sabem que ele nasceu em Porto Velho. Carlos Ghosn, megaempresário de sucesso na área automobilística nasceu também em Rondônia, mas por aqui quase ninguém sabe disto. O rondoniano comum costuma endeusar apenas quem nasceu em outro lugar. Tanto é que quase nenhum deles jamais governou o Estado. A prefeitura da capital nunca teve um administrador nascido em terras karipunas. Todos vieram de fora.

É muito esquisito que o povo rondoniense, mesmo sendo honesto e correto em sua maioria, nas eleições quase só vota e elege candidatos ladrões e corruptos. E de preferência que tenha nascido em outro Estado. O governo estadual, as câmaras municipais e o Poder Legislativo local, por exemplo, estão infestados de forâneos. Neste aspecto, Rondônia é a puta do Brasil e ainda tem que pagar pelo preservativo. Muitos se satisfazem quando pegam um empreguinho qualquer no segundo ou terceiro escalão das administrações públicas. “Tudo para quem é de fora, nada para os nativos” parece ser o lema deste povo bisonho. Os melhores empregos, as melhores colocações, as melhores terras. Tudo para os visitantes. A imponente floresta Amazônica, o Cerrado no Cone Sul do Estado e até o majestoso rio Madeira foram estuprados só para atender aos outros.

O cidadão daqui parece que está muito bem conformado com o “açougue” João Paulo Segundo, um campo de extermínio de pobres feito sob medida para matar somente quem nasceu aqui. Sim, porque quem é de fora geralmente tem bons planos de saúde e quando a “coisa se complica” volta para se tratar em seus locais de origem. A fumaça criminosa todos os anos alegra também muitos cidadãos nativos. “É o pregresso chegando”, dizem euforicamente. Porto Velho ser a pior dentre as capitais do Brasil em saneamento básico, qualidade de vida e queimadas traz euforia para todos. Futebol nem existe por aqui. Só os times de fora é que merecem destaque. E todo final de ano muitos passam suas férias nas praias do Nordeste, no exterior e também no Centro-Sul do país. Aqui só ficam os pobres. Rondoniense adora andar de barco, mas sem colete. Será que estas “qualidades sinistras” habitam também os que se dizem rondonienses de coração?

*É Professor em Porto Velho.

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