Sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 - 19h17

Depois que voltei a morar na Pérola do Mamoré - minha terra natal - tenho ido com mais frequência passear na cidade de Guayaramerín, Bolívia. Lá procuro fazer o que 99% dos turistas, visitantes e sacoleiros não fazem, que é conhecer e usufruir daquilo que há de mais interessante e delicioso na cidade irmã da Pérola do Mamoré, qual seja: sua gente e sua cultura.
A cultura, a história e as pessoas que moram na cidade Guayaramerín, são invisíveis para turistas, muambeiros e analfabetos estéticos, que invadem a cidade hermana com o voraz propósito de consumir tudo que encontrar pela frente, sem qualquer senso e responsabilidade de consumo. Chegam de suas cidades de origem apenas para comprar tudo o que é de bugiganga pirateada “mede in china”.
Para quem quer comprar ou consumir qualquer produto, verdadeiramente boliviano, capaz de traduzir o espírito e a alma da Bolívia e de seu povo, neste caso, os caminhos são outros e não passam, necessariamente, pela Calle Federico Román, via de fluxo comercial intenso de Guayaramerín, onde está sediada a maioria das lojas que vendem todo tipo produtos e quinquilharias (quase sempre falsificadas), importadas da China.
Neste último domingo, dia 5, mais uma vez fui até a cidade de Guayaramerín, Bani, acompanhado de Jamyle Vanessa (minha irmã que veio passar o Reveillon em família), e da Professora Lilian da Silva Ferreira, que conhece a cidade co-hermana como a palma de sua mão. Não deu outra e, mais uma vez mergulhei nas tradições, cultura e cotidiano dos nossos irmãos bolivianos.

Ciceroneados pela Professora Lilian, começamos o passeio tomando algumas cervejas parcenãs no Bar Veintiocho, localizado na Calle Sucre, subesquina com Calle Oscar Ú de La Vega. E enquanto degustávamos um dos melhores produtos genuinamente boliviano – a cerveja parcenã – e falávamos sobre diversos assuntos e sobre algumas pessoas de feitos maravilhosos – e de outras gentinhas de procedência e postura ordinárias - também escutávamos uma banda musical, afinada, tocando cancioneiros bolivianos, ali bem próximo. Depois de algumas cervejas, já encorajada, a Professora Lilian resolveu tirar a limpo onde acontecia tal festa.
Ao voltar, nossa espiã deu poucas informações, como é do perfil dos agentes secretos. Continuamos a beber parcenãs. Depois de uma dúzia, já muy borracha, nossa cicerone nos intimou a comparecermos na festa dos hermanos, pessoas que se quer conhecíamos.
‘De penetra’, fomos nos chegando, com a maior cara de pau, e nos abancando na festa alheia. O fato é que fomos todos muito bem recebidos pelo anfitrião, sua família e amigos. A bandinha que animava a festa, em homenagem aos ‘penetras, logo passou a tocar samba da melhor qualidade. E aí foi tudo festa.
A acolhida maravilhosa foi realizada pelo filho do anfitrião, Engº. Luiz Pablo Roca Frota, que nos apresentou a todos e nos conduziu até a uma mesa farta, quando fomos convidados a comer. Prato principal: farofa de tortuga no casco (aqui também chamada de “peta” de rio), acompanhada de vários outros pratos deliciosos também feitos de tortuga (tartaruga). Comi despreocupadamente, afinal aqui não é proibido o consumo e, menos ainda, não há IBAMA na cidade irmã da Pérola do Mamoré.
E assim vou descortinando e conhecendo a verdadeira cidade de Guayaramerín, reconhecendo sua gente, compreendendo o multiculturalismo deste povo e experimentando os seus mais genuínos costumes.
Fonte: Ariel Argobe
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