Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Confúcio, o judiciário e as leis


O governador Confúcio Moura revelou-se uma fraude, desde sua posse, pois a maioria das coisas que ele assina não valem absolutamente nada. E essa trajetória de fraude começou desde sua campanha, quando assinou acordo com os trabalhadores da educação, garantindo que em seu governo a educação seria uma prioridade.

Ao assumir o cargo, após muitas pressões dos servidores, ele enviou o projeto de lei que criou o Plano de Cargos da Educação. Depois disso, fez a maior festa, chamou a imprensa, disse que teria uma revolução na educação e que teríamos a melhor educação do país... Tudo não passou de um estelionato! A assinatura dada na sanção da Lei 680/12, e publicada no Diário Oficial do Estado, em 07 de setembro do ano passado, dia da independência,  foi só para enganar os trabalhadores. Até hoje o Plano de Cargos não está em vigor...

Antes disso, em 2011, Confúcio criou a Lei 2.659/11, que seria para regulamentar a premiação de escolas, servidores e alunos pelas notas nas avaliações do Ministério da Educação – MEC, ou do estado. Outra fraude! Até hoje nenhuma escola, servidor ou aluno recebeu premiação nenhuma, embora a propaganda tenha sido muito ampla na época.

Depois de tantas desilusões e depois de tantas amarguras, tentando cobrar do governador do PMDB que cumprisse o que ele  prometeu e  assinou, os trabalhadores da educação entraram em greve. Observe o leitor que os trabalhadores querem apenas que Confúcio Moura cumpra com sua assinatura, com sua honra, pois ele mesmo assinou. Se ele cumprisse apenas o que ele assinou, com certeza, não teria greve. O problema é que ele assinou compromissos com diversos setores... Não cumpriu com a educação e não cumpriu com os demais. Por isso mesmo, trabalhadores de diversos setores entraram em greve.

A forma de governar de Confúcio Moura é tão incoerente que ele aumentou o salário de seus comissionados, aqueles que ele chamava de malditos, em até 300%, segundo publicações divulgadas amplamente na imprensa. Aos trabalhadores que fizeram concurso, ele oferece 6% de aumento, parcelando em várias vezes. Muitos dos cargos ocupados por comissionados deveriam ser ocupados por servidores de carreira, mas Confúcio não cumpriu o artigo 37 da Constituição Federal, que manda fazer concurso público. Quantos professores queriam ser “malditos”, na concepção do governador do PMDB!!

Enquanto Confúcio Moura e Isabel Luz dilapidam a educação de Rondônia, alguns magistrados dão aval. Ao decidir mandar os professores do terceiro ano voltarem para as salas de aula, o Poder Judiciário de Rondônia e do Brasil agem contra todos os estudantes que fazem outras séries... Por que os alunos de outras séries não precisam ter aula? Por que a mesma justiça fecha os olhos para os direitos de outros milhares de estudantes. Ao aludir à lei, para mandar voltar os professores do terceiro ano, por que os magistrados não aludem à lei para fazer o governo cumprir as leis assinadas por ele mesmo? Que isonomia é essa?

Claro que não precisamos condenar todos os magistrados! A maior parte deles,, com certeza não concordam com os desmandos do governo. O judiciário merece nossa confiança. Mas o fato de merecer confiança não significa que temos a obrigação de aceitar passivamente e pacificamente os absurdos cometidos por magistrados. Decidir dar privilégios apenas a alguns alunos, em detrimento dos demais não pode acontecer num país que prega a igualdade. São exatamente fatos dessa natureza que causam indignação de milhares de brasileiros.

Para os magistrados que tomam decisões como esta certamente a vida segue uma maravilha, pois, embora sejam pregadores da justiça e da igualdade, duvido que os magistrados autores dessas decisões absurdas tenham a coragem de matricular seus filhos nas escolas administradas por Confúcio Moura, mesmo porque muitas delas até hoje não têm professores de diversas disciplinas, não possuem quadra, não têm refeitório e nem biblioteca... Isso nossos magistrados não sabem. Não sabem porque muitos deles nunca visitaram uma escola, apenas aplicam, de dentro de seus gabinetes de luxo, a frieza da lei contra quem trabalha em situações desumanas nas escolas públicas de Rondônia.

Enquanto Confúcio e o Judiciário brincam de criar e aplicar leis, milhares de crianças jovens e adultos são tradados com indiferença e descaso nas escolas. Mas a indiferença e o descaso não partem dos profissionais que trabalham arduamente todos os dias. A indiferença é governamental... É a justiça fechando os olhos para a desigualdade... Tenho dito!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual