Segunda-feira, 16 de abril de 2007 - 05h58
Poderia ser um título genérico para quase todas as situações do faz-de-conta
que isto aqui é um país organizado, especialmente na área política. Trata-se
de uma brincadeira de mau gosto constante. Recentemente, aconteceram mais
algumas coisas de Brasil.
Dois famosos foram flagrados praticando "pequenos delitos", o alfinetador
dos mal-vestidos, Ronaldo Ésper furtou vasos de defuntos; o rabino Henri
Sobel, famosas gravatas. A brasilidade demonstra-se na defesa que os
formadores de opinião fizeram, e a patuléia de duvidoso caráter acompanhou,
os mesmos que são tão ciosos por punição rigorosas aos delinqüentes pobres.
Solidariedade nada tem a ver com acobertamento de furto. O tão apregoado
passado de serviços prestados corretamente não autoriza ninguém a furtar.
Trata-se apenas da forma correta de viver.
A violência no Rio de Janeiro chegou a um ponto que os cariocas desejam
fugir para Bagdá a fim de ter um pouco de paz. O governador pediu
formalmente o apoio das Forças Armadas, requisito sempre exigido
triunfalmente pelo presidente da República. A maioria da turma supracitada é
contra, apoiada no argumento de que não estão preparadas para "esse tipo de
policiamento". Devem estar preparadíssimas para enfrentar os Exércitos
americano e inglês juntos. Puro medo de ficar demonstrado que o crime
organizado venceu e só falta declarar a vitória, o que já é óbvio ululante
para as pessoas mais esclarecidas.
A mídia voltou a noticiar o fim da reeleição, criada há dez anos ao preço e
valor de conhecimento geral e irrestrito. Querem mudar a duração do mandato
do presidente da República. Os pesquisadores deveriam buscar a informação de
quantas vezes esse prazo já foi trocado e a mudança mais constante desta
Nação.
A Polícia Federal acaba de prender um monte de gente graúda envolvida com o
crime. Não faz muito tempo, alguns juízes foram aposentados, única punição
que tem sido aplicada nestes casos. Os nomes deveriam ser guardados para
verificar o resultado depois.
Em Pernambuco um bando matava mais do que qualquer guerra. Matava mais até
do que no Rio de Janeiro. Foram presos somente depois de cinco anos e mais
de mil pessoas assassinadas.
Não se pode esperar muito de um país onde qualquer renomado furtar é normal;
onde matar filhos por esquecimento trata-se de mera fatalidade corriqueira e
aceita; onde ter uma moeda valorizada é ruim...
O bom de tudo isso é que, depois de tantas desgraças dantescas, o Congresso,
sempre tão injustamente cobrado, se mexeu e tomou uma decisão importante:
proibir um deputado de usar o chapéu, cujo gosto cabe a ele. Somente a ele.
É ou não um escárnio?
Fonte: Pedro Cardoso da Costa
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