Segunda-feira, 10 de junho de 2024 - 15h59

Não é de hoje que o
Ministério Público do Estado de Rondônia vem tentando convencer a Câmara de
Vereadores de Porto Velho a reduzir o excesso de cargos comissionados, mas,
pelo visto, tem pregado a ouvidos moucos. Tantos são os comissionados que, se
todos eles resolvessem comparecer ao local de trabalho ao mesmo tempo, não teria
espaço suficiente para acomodar tanta gente.
A luta pela diminuição
da quantidade de cargos de direção, chefia e assessoramento, começou em 2015,
na administração do presidente Jurandir Bengala. Naquela ocasião, o Poder
Legislativo assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por meio do qual
se comprometeu a substituir, gradativamente, os quase quinhentos comissionados
por servidores efetivos, porém o acordo não saiu do papel e o MPE/RO, na pessoa
do brilhante Promotor de Justiça, Geraldo Guimarães, resolveu enquadrar meio
mundo, contudo, antes mesmo que o assunto descambasse no campo da improbidade
administrativa, a Câmara, já sob a presidência do vereador Maurício Carvalho, realizou
um concurso para inglês ver, ofertando apenas quinze vagas, contrariando
recomendação da Comissão responsável pelo certame, que propôs a criação de
cinquenta cargos efetivos, mas a ideia não prosperou. Enquanto isso, as folhas
de pagamento continuaram sendo infladas com nomeações e mais nomeações de
comissionados.
Hoje, a Câmara
Municipal tem 633 comissionados, de acordo com a Resolução nº. 702/2023, de 18
de dezembro de 2023, publicada no Diário Oficial do Município de 27 de dezembro
de 2023, edição 3692. Eis alguns: Assessor Parlamentar Volante - 330, 15 para
cada gabinete, incluindo o da presidência; Assistente Técnico Nível I - 60;
Assessor Técnico Legislativo – 42; Assessor Executivo – 39. E a lista segue com
uma infinidade de departamentos, diretorias, divisões e comissões. Ao todo, são
seiscentos e trinta e três cargos comissionados, contra quarenta e oito
servidores efetivos, segundo um funcionário da Casa, que preferiu não se
identificar, por motivos óbvios. Não culpo, exclusivamente, o presidente Márcio
Pacele por isso. Às vezes, as circunstâncias obrigam o gestor a tomar decisões
contrárias à sua vontade para não criar um clima de discórdia entre seus pares,
porém, não custar lembrar que, na vida, tudo tem um limite.
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