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As altas temperaturas e o olhar dos governantes


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

A temperatura mais elevada em Porto Velho, nesta época do ano, precisa ser olhada com maior atenção pelos governos estadual e municipal. São problemas de várias ordens que contribuem para gerar e aguçar situações de conflitos entre os moradores da cidade. Some-se a isso o cada vez mais grave quadro de doenças próprias do período de estiagem e há indicativos que apontam para a ampliação da instabilidade. Estudos revelam que altas temperaturas influenciam no comportamento das pessoas. Por isso, a mudança climática exige ser acompanhada pelos governos como uma questão de saúde pública.

Na capital, a alta temperatura, aliada à falta de espaços públicos de convivência, de uma extensão maior de áreas arborizadas e a grande quantidade de veículos automotores  em circulação criam um cenário de guerra urbana, com motoristas, motociclistas e pedestres visivelmente alterados, que parecem viver em permanente estado de explosão emocional, prontos para extravasarem seu excesso de raiva no primeiro que lhes aparecer pela frente.

É comum observamos o enfrentamento de pedestres, motoristas e motociclistas. Buzinas acionadas, troca de palavrões e mal-estar generalizado podem ser vistos com frequência em vários pontos da cidade. Enquanto o motorista apressado usa os raros espaços de calçadas para fazer ultrapassagens, indiferente à sinalização, tem sempre aquele pedestre que prefere correr todos os riscos a utilizar a faixa a ele destinada. No fundo, parece que há um aguçamento de hostilidades neste período do ano, com o aumento dos níveis de temperatura, que se espraia para os locais de trabalho, lazer, escolar e para as residências, que poderia ser facilmente evitado se houvesse um pouco mais de racionalidade e respeito ao próximo por parte dos principais personagens que fazem o trânsito da nossa cidade, com cada um adotando atitudes saudáveis e procurando aprender a conviver com os transtornos causados pela mudança de temperatura.

Infelizmente, o que se tem visto é a inexistência de qualquer ação nesse campo, com cada um resolvendo os problemas do seu jeito, onde ninguém se preocupa em procurar prevenir quadros mais graves. E o poder público tem sua parcela de culpa, quando não adotar as medidas necessárias que poderiam ajudar a minimizar os problemas que a população vive nesta época do ano. Em vez disso, prefere ignorar as evidências, deixando a coisa correr solta.  

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