Porto Velho (RO) quinta-feira, 13 de agosto de 2020
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Tentando desenhar pedagogicamente, porque a hidroxicloroquina e suas derivações, são ineficazes no combate ao covid 19.


Tentando desenhar pedagogicamente, porque a hidroxicloroquina e suas derivações, são ineficazes no combate ao covid 19.  - Gente de Opinião

Todo o esforço científico até agora, na busca de encontrar um medicamento, capaz da cura da covid 19, ainda não se concretizou efetivamente.  A ciência tem avançado muito no campo do experimento, na descoberta de uma vacina, tudo indicando, aos mais otimistas, que até o final desse ano, a humanidade a terá à sua disposição, para por fim a essa grande tragédia universal.

Até lá, as unidades hospitalares em todo o mundo, sobre orientação de profissionais especializados, vão cuidando dos infectados, com os remédios indicados, ao tratamento desses pacientes. A imensa maioria ficará curada, pois não fazem parte do grupo que apresenta letalidade.

Numa outra linha de conduta, que foge aos padrões protocolares de uma metodologia científica, que esteja de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde, e outros centros de respeitabilidade internacional que atuam na área da saúde, existem grupos, comungando de posicionamentos, ainda que  esparsos, que chancelam a hidroxicloroquina, com suas derivações, como remédios que curam a covid 19, sem no entanto, apresentarem um estudo sistematizado, com um universo de experiências metodologicamente comprovadas, com a confiabilidade e o rigor, que a ciência exige.

Pelo que a ciência dispõe até hoje, através de inúmeros estudos experimentais, e, atendendo a orientação da Organização Mundial da Saúde, com o aval das Instituições em suas respectivas sedes Nação, em consonância com as medidas emanadas por ela, que atestam que a hidroxicloroquina e a cloroquina, não apresentam nenhum resultado comprobatório de cura, contra esse vírus. Portanto, são ineficazes no seu tratamento.

Concretamente, o que há de relevante para ser levado em conta?

1 - O coronavírus, se constitui num fenômeno sanitário de proporções pandêmicas. Nessa perspectiva, se espalhou pelo mundo inteiro, e como não há no presente instante, algo que o cure, a única alternativa que minimiza o seu alcance, e evita o colapso nos sistemas de saúde, são procedimentos comportamentais.

2- Existe um grupo de risco, que, por serem portadores de determinadas comorbidades, potencializam o agravamento da doença.

3 – A doença é letal. Felizmente, o seu grau de letalidade, atinge uma escala “pequena” de pessoas, se comparado com o imenso universo contaminado.

4- Cientistas, chegaram à conclusão, com base em projeções em dado cenário, composto por um universo de pessoas, onde a quase totalidade delas, será inexoravelmente contaminada, considerando um determinado lapso de tempo, que será menor ou maior, em função das medidas e precauções tomadas, conforme a responsabilidade e empenho, de cada governante.

5 – Das pessoas contaminadas, haverá um percentual, considerado assintomático, que não apresentará manifestação algum da doença. Outro percentual, apresentará sintomas leves, que nem se dará conta, que é portador da doença. Uma outra percentagem, apresentará algum grau de morbidade, com características próprias da doença, e que necessitará de cuidados médicos. Mais uma pequena percentagem, por apresentar alguma ou algumas comorbidades, os assim chamados grupos de riscos, se constituirá naquele grupo específico, com pré-disposição à letalidade.

Dois pontos para reflexão:

a)    Se a hidroxicloroquena, a cloroquina, etc, são tão eficazes, porque então, a curva de letalidade continua ascendente, já atingido a estatística de mais 90 mil mortos, quando o estoque desses remédios, sumiu do mercado, deixando os pacientes que realmente deles necessitam, em situação de extrema vulnerabilidade?

b)    Porque, quando indicada a sua dosagem em pacientes, estes, se obrigam a assinar um termo de responsabilidade, eximindo de qualquer culpabilidade, os médicos que a recomendaram? Não é uma atitude para causar no mínimo um estranhamento, para quem tem a convicção da sua eficiência?

 

Portanto, essa onda salvacionista da hidroxicloroquina ou da cloroquina, que tomou conta das mentes e corações de muitos, é uma ilusão.

Porque? Simples. Considerando o imenso contingente de acometidos pela covid, e, considerando ainda, que apenas um pequeno percentual estará condenado praticamente à morte, aos demais, tome-se o que quiser, inclusive hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, e tantas inas que se queira mais, todos ficarão curados. Até água com  açúcar, terá sua eficácia.

Àquela outra pequena percentagem, não há inas, que possam ser capazes de curá-la.

Ah, mas temos diversos casos que as pessoas tomaram e ficaram curadas. Além de vários profissionais, com conhecimentos específicos da área, que endossam a eficácia dessa medicação.

A pergunta necessária: Faziam parte daquele pequeno grupo? Também, tantos tomaram e morreram do mesmo jeito. E aí?

Para finalizar. Aos que acreditam na cloroquina e demais, que as tomem. Funciona como placebo, cristalizando no ideário de cada um, a ilusão da cura. Essa cultura é milenar, e acompanha a sabedoria dos antigos. Na realidade não cura, mas deixa a ilusão, o alivio, que de outra forma, se constituiria em angústia, face o estado psicológico ou emocional que acomete a cada um de maneira específica, em função de um determinado mal, que de outra forma, nunca seria curado.

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