Terça-feira, 30 de dezembro de 2025 - 11h05

No número
seis da Bula de Proclamação do Jubileu Ordinário do ano 2025, o Papa Francisco
indicou as datas de início e de conclusão deste Ano Santo, ambas na Basílica de
São Pedro, em Roma: nos dias 24 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2026. E
logo depois escreveu: “Que a luz da esperança cristã chegue a cada pessoa, como
mensagem do amor de Deus dirigida a todos. E que a Igreja seja testemunha fiel
deste anúncio em todas as partes do mundo”.
A esperança
foi o tema principal deste Ano Santo. A Bula de proclamação começou com este
anúncio: “Spes non confundit –
a esperança não engana (Rm 5,
5). Sob o sinal da esperança, o apóstolo Paulo infunde coragem à comunidade
cristã de Roma”. E, logo depois, faz referência ao fato que todos esperam, pois
no coração de cada pessoa encerra-se a esperança como desejo e expectativa do
bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã.
Mas a
partir desta esperança presente em cada ser humano, o Papa Francisco fala
especificamente da virtude cristã da esperança que nasce do amor e funda-se no
amor que brota do Coração de Jesus trespassado na
cruz: “Se de fato, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele
pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos
de ser salvos pela sua vida” (Rm 5,
10). E a sua vida manifesta-se na nossa vida de fé, que começa com o Batismo,
desenvolve-se na docilidade à graça de Deus e é por isso animada pela
esperança, sempre renovada e tornada inabalável pela ação do Espírito Santo. De
fato, o Espírito Santo, com a sua presença perene no caminho da Igreja, irradia
nos crentes a luz da esperança, e a mantém acesa como uma tocha que nunca se
apaga, para dar apoio e vigor à nossa vida.
Com efeito,
a esperança cristã não engana nem desilude, porque está fundada na certeza de
que nada e ninguém poderá jamais separar-nos do amor divino. Por isso, o
apóstolo Paulo escreveu: “Quem poderá nos separar do amor de Cristo? A
tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…)
Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores graças Àquele que nos amou” (Rm
8,35. 37).
Paulo é
muito realista. Sabe que a vida é feita de alegrias e sofrimentos, que o amor é
posto à prova quando aumentam as dificuldades e a esperança parece
desmoronar-se diante do sofrimento. No entanto, escreve: “Gloriamo-nos também
das tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência,
a paciência a
firmeza, e a firmeza a esperança” (Rm 5,
3-4).
A
tribulação, então, faz crescer uma virtude, que é parente próxima da esperança:
a paciência.
Infelizmente, habituamo-nos a querer tudo e agora, num mundo onde a pressa se
tornou uma constante. Já não há tempo para nos encontrarmos e, com frequência,
as próprias famílias sentem dificuldade para se reunir e falar calmamente. A paciência foi
posta em fuga pela pressa, causando grave dano às pessoas. Sobrevêm a
intolerância, o nervosismo e, por vezes, a violência gratuita, gerando
insatisfação e isolamento.
Mas deste
entrelaçamento de esperança e paciência,
temos que a vida cristã é um caminho,
que precisa também de momentos fortes para
nutrir e robustecer a esperança,
insubstituível companheira que permite vislumbrar a meta: o encontro com o
Senhor Jesus.
* Professor
Lino Rampazzo é professor nos Cursos de Filosofia e
Teologia da Faculdade Canção Nova.
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