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Sindicato se nega a negociar e prejudica empresas e trabalhadores


Vanderlei Oriani - Gente de Opinião
Vanderlei Oriani

É inegável que todos desejamos estabelecer uma relação trabalhista de boa qualidade e com a reforma trabalhista isto se tornou ainda mais necessário. O problema é que, com a reforma também, houve perda de receitas das entidades sindicais, que não mais recebem a contribuição sindical sem uma autorização dos trabalhadores, o que implica em maior dificuldade para essas instituições se manterem, terem um grande número de associados, sem mostrar que contribuem para seus filiados/associados.  Muitas vezes, para superar estes problemas, alguns sindicatos resolveram ser mais inflexíveis na negociação. É o caso que acontece, agora, em Rondônia com a Federação do Comércio e seus sindicatos patronais filiados que seguem na tentativa de negociação com o sindicato laboral do interior – Sitracom- do piso salarial dos seus trabalhadores, sem que este, quando procurado para negociar,  esteja disposto, de vez que está sempre colocando obstáculos diversos, entre os quais o pagamento de taxas para sua manutenção. Isto se reflete, de forma inequívoca, pois, depois de várias rodadas de negociação, o Sitracom, até o momento, não realizou nenhuma tentativa de entendimento, não demonstrando intenção de negociar de fato. Nós, da Associação Comercial de Rondônia-ACR não concordamos, é claro, com a posição inflexível do sindicato que, com isto, prejudica diretamente os próprios trabalhadores na medida em que de nada adianta ter mais direitos se as empresas não conseguirão pagar e os empregos acabarão por não existir aumentando ainda mais os problemas da economia. Esta compreensão, que é ter a visão de que o sindicato deve pensar, antes de tudo, nos trabalhadores é que fez com que na nossa capital o seu sindicato (Sindecom) chegasse a um acordo visando preservar a renda e os empregos dos comerciários. Efetivamente, quando vamos examinar os acordos coletivos que tem sido feitos este ano, nos deparamos com mais de 75% deles buscando preservar os empregos, inclusive aceitando uma reposição entre 2,5 a 3%, reconhecendo as dificuldades das empresas de manter seus empregados. Num momento tão difícil, como este da pandemia, o Sitracom, lamentavelmente, se nega a negociar, o que somente pode trazer mais problemas tanto para as empresas, como para os trabalhadores. É uma pena que muitas empresas e trabalhadores sejam penalizados por falta de visão de dirigentes sindicais e o que poderia ser uma questão de negociação com bons frutos para todos se torne um problema e acabe, como acabará sendo, judicializado. 

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