Quarta-feira, 26 de novembro de 2025 - 15h39

A construção civil convive com um problema crônico:
atrasos, estouros de orçamento e desperdício de recursos. Segundo estudo global
da McKinsey & Company, mais de 98% dos megaprojetos ultrapassam prazo ou
custo, com custos médios 79% acima do orçamento e prazos cerca de 52% maiores
do que o previsto.
Embora esses dados se refiram a obras de grande
porte, a lógica por trás das falhas é a mesma nas obras corporativas e
comerciais: planejamento fragmentado e execução desconectada da realidade do
canteiro.
No Brasil, a situação se repete. Em muitos casos, o
cronograma é elaborado no escritório, entregue à obra e raramente atualizado
conforme o avanço real. O resultado é previsível: retrabalho, improvisos e a
rotina de “apagar incêndios”.
O planejamento, que deveria ser a espinha dorsal da
gestão, acaba tratado como um requisito burocrático — um documento para cumprir
protocolo, e não como ferramenta estratégica de decisão.
Quando o cronograma é construído sem a participação
de quem está em campo, ele se torna um instrumento distante, incapaz de
antecipar variáveis essenciais: clima, logística, prazos de fornecedores,
interferências entre equipes e restrições do local. É assim que a
previsibilidade se perde — e junto com ela, a confiança do cliente.
Estudos setoriais indicam que o desperdício de
materiais pode chegar a 25–30% do total utilizado e que falhas de coordenação
impactam diretamente a produtividade, somando bilhões de reais em perdas anuais
no setor.
Cada atraso, cada improviso e cada retrabalho
representam não apenas custo adicional, mas também erosão de credibilidade.
Nos últimos anos, metodologias como Lean
Construction e AWP (Advanced Work Packaging) trouxeram uma nova visão: planejar
não é prever o futuro, mas garantir as condições para que o plano aconteça.
Embora o nome seja recente, essa forma de pensar a
obra — de trás para frente, considerando dependências, prazos de compra e
montagem — é algo que aplico há mais de 20 anos.
A lógica é simples: dividir o projeto em módulos
menores, garantindo que cada etapa só comece quando todas as condições
estiverem asseguradas.
Em uma obra de 60 dias, por exemplo, se o
mobiliário tem prazo de entrega de 45, ele precisa ser comprado até o 7º dia.
Esse intervalo adicional é essencial para absorver as etapas de fabricação,
transporte, recebimento, conferência, montagem e verificação final em canteiro.
Essa antecipação evita o efeito dominó dos atrasos
e reduz a dependência de improvisos.
Quando o planejamento é feito junto com o residente
de obra, o time de suprimentos e os fornecedores críticos, o cronograma deixa
de ser “bonito no papel” e se torna uma ferramenta viva, usada diariamente para
decidir, corrigir e priorizar.
O controle deixa de ser um relatório mensal e passa
a ser uma rotina operacional em tempo real.
Essa integração muda completamente a dinâmica entre
escritório e campo. O planejamento deixa de ser instrumento de cobrança e passa
a ser um aliado da execução — um mapa de decisões construído por quem entende o
terreno.
Sim, exige mais dedicação no início. Mas o retorno
é exponencial: menos desperdício, menos paradas, mais previsibilidade e maior
qualidade percebida pelo cliente.
No fim, o verdadeiro ganho não é apenas
produtividade. É confiança — entre equipes, fornecedores e clientes.
Quando o planejamento é vivo, a obra deixa de ser
um risco e passa a ser um compromisso com resultado.
*por Fernando Ervedeira, Chief Engineering da We
Are Group - empresa especializada na execução de ambientes corporativos e
comerciais de alto padrão. Mais informações no site.
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