Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020 - 11h28

A declaração do prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, de
que, à semelhança do ano passado, não vai repassar um centavo para ajudar as
escolas de samba, considerando as dificuldades pelas quais passa o erário
municipal, se, por um lado, caiu como um torpedo no colo dos carnavalescos, por
outro, soou como melodia agradável aos ouvidos da maioria dos munícipes portovelhenses,
dentre os quais me incluo.
Não se trata de ser contra a festa de carnaval, considerada
por alguns como o maior espetáculo do mundo. Quem quer pular carnaval que o
faça, usando suas próprias economias, mas não com dinheiro público, que tem
finalidade precípua, como promover ações que, de alguma maneira, contribuam
para melhorar a qualidade de vida da população em geral, e não para atender os
devaneios de uns poucos.
Porto Velho padece de problemas crônicos. Na saúde a ferida é
exposta. E isso não é nenhuma novidade. Vem de longe. O setor acumula
historicamente uma série de erros que vão dos desvios de conduta a adoção de
modelos inadequados. E é a população (sobretudo os segmentos mais carentes da
sociedade, que não podem pagar um plano de saúde) quem está sendo punida
duramente.
Acerta o prefeito, portanto, quando assume que sua
administração tem assuntos mais importantes para resolver, nos mais diferentes
setores, para os quais seus olhos estão voltados, e que a festa carnavalesca
não compõe o mosaico de suas preocupações, indicando um compromisso com uma
nova postura politico-administrativa pela qual Porto Velho há muito reclama.
Já disse (e repito quanto vezes forem necessárias, até para
que se não pairem dúvidas) que não votei no candidato Hildon Chaves. Igualmente
não integro o time de bajuladores que se cevam das migalhas que lhes caem da
mesa palaciana. Discordo da maneira como o prefeito gerencia alguns setores de
governo, mas nesse ponto sou obrigado a dar a mão à palmatória, ou seja,
patrocinar carnaval é jogar dinheiro público no ralo.
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