Terça-feira, 3 de fevereiro de 2026 - 15h51

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel
acredito que “viver significa tomar partido”.
(...) Indiferença é abulia, parasitismo,
covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
Antonio Gramsci (filósofo marxista, escritor, jornalista, crítico
literário, linguista, historiador e político italiano)
Mesmo com iniciativas propostas nas COPs para
conter as emissões, ano após ano recordes são superados, com o consequente
aumento na temperatura global. Seu efeito afeta a sociedade, os ecossistemas, e
as economias. Já são constatadas alterações no ciclo das chuvas, das
correntes marítimas e dos padrões de vento; impactos na biodiversidade
com a extinção de espécies, desequilíbrios ecológicos; o aumento de doenças
respiratórios, surtos de doenças relacionadas ao clima, aparecimento de novos
vírus; ondas letais de calor, com maior risco de incêndios florestais,
estresse térmico em humano/animais, e aumento da mortalidade; elevação do
nível do mar com o derretimento inundando áreas costeiras, e aumento da
vulnerabilidade de cidades e ilhas; entre outros efeitos dramáticos que
comprometem a vida no Planeta.
O Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas
(IPCC, em inglês), grupo de cientistas ligados a ONU concluíram em seus
estudos, divulgados em relatórios, que o modelo de vida atual, baseado em
padrões insustentáveis de produção e consumo, tem levado ao aumento da
intensidade e da frequência de eventos climáticos extremos em todos os
continentes, provocados pelo aquecimento global.
São as atividades humanas as principais
responsáveis pelo aumento das emissões, dentre elas: a queima de combustíveis
fósseis como principal fonte energética da humanidade, as mudanças no uso da
terra e o desmatamento (no Brasil é a maior fonte de emissão, representando 40%
do total), a agricultura (uso intensivo de fertilizantes nitrogenados, fontes
significativas de metano e óxido nitroso, ambos GEE) e pecuária (processo
digestivo dos animais que emite o metano), além de processos industriais.
O consenso científico é claro e unânime, a
emergência climática é inegável; mesmo que alguns poucos negacionistas da
ciência ainda tenham espaço na mídia, e tenham poder, caso do extremista de
direita o atual presidente norte americano; e que no Brasil tem seu fiel
seguidor, o ex-presidente e atual presidiário, e seus seguidores fanatizados.
Para exemplificar o que a ciência e os cientistas
têm alertado sobre os efeitos das mudanças climáticas globalmente, com reflexos
locais, a seguir algumas das recentes catástrofes climáticas ocorridas nas
últimas semanas, associadas ao aquecimento global:
·
Em dezembro de 2024 e janeiro de 2025, chuvas intensas com fortes ventanias
ocorrida na gigantesca cidade de São Paulo e municípios do entorno, produziram
quedas de energia elétrica, afetando mais de 4 milhões de residências,
·
Tempestade de neve histórica nos EUA deixou pelo menos 30 mortos, 500 mil
pessoas sem energia elétrica, e 200 milhões de pessoas sob alerta. Forte
nevasca, e fortes ventos provocaram grandes apagões linhas de energia
derrubadas em todo o sul do país, além de recordes de frio no sul e leste do
Hemisfério Norte. Uma forte tempestade de inverno provocou uma nevasca
histórica em Toronto, na província de Ontário, no Canadá. O evento estabeleceu
novos recordes de neve, paralisou o transporte e causou grandes transtornos em
toda a região metropolitana.
·
Várias regiões da Austrália estão sofrendo com ondas de calor que alcançou no
pico, 50oC no início de janeiro. Foi a mais severa onda de calor
desde o verão de 2019-2020, conhecida como “Black Summer”, que deixou um saldo
de mais de 400 mortes direta ou indiretamente relacionadas à maior onda de
incêndios florestais da história recente da Oceania, consumindo mais de 24
milhões de hectares pelas chamas, e 3.000 edificações. Estima-se que 3 bilhões
de animais tenham sido dizimados. Em 2026 os termômetros superaram 40°C em
Melbourne e em Sydney. Em Victoria, o calor precedeu incêndios florestais que
devastaram 400.000 hectares, e destruíram 900 edificações.
·
Em 12 de janeiro de 2025, considerada a pior inundação da história, chuvas
torrenciais em Moçambique, na África, atingiram várias regiões do país,
deixando cidades inteiras alagadas, com pelo menos 700 mil pessoas desabrigadas
e em torno de 125 mortas. As Nações Unidas estimaram que, entre o fim de 2025 e
o início de 2026, as piores inundações da história ocorreram, com chuvas
torrenciais, abrangendo cerca de 3.000 km² do território moçambicano (de um
total de 801.000 km²).
·
O Chile e a Argentina têm enfrentado temperaturas extremas e ondas de calor
desde o início do ano. Em duas regiões do sul do Chile foi decretado estado de
calamidade pública devido a incêndios florestais que deixaram ao menos 19
mortes e forçaram a evacuação de mais de 50 mil pessoas, e consumiu pelo menos
8,5 mil hectares. Grande parte do país estava sob alerta de calor extremo
atingindo 38oC. Na Argentina, a região da Patagônia, sofreu
incêndios florestais devastadores provocados por raios gerados na tempestade.
·
Em vários continentes médicos têm relatado o aumento de casos de deterioração
da saúde mental das populações que sofreram com catástrofes climáticas. Outro
aspecto relacionado à saúde humana é o aparecimento de novos vírus e o
ressurgimento de doenças infecciosas diretamente ligados às mudanças
climáticas.
As catástrofes, já são uma realidade,
manifestando-se em incêndios, inundações, ondas de calor, tempestades e secas
sem precedentes. Estudos com cenários de aquecimento extremo da ordem de 30C,
apontam que a mortalidade humana pode chegar a 2 bilhões, ou mesmo a espantosa
cifra de 4 bilhões de óbitos.
A responsabilização, deve recair com maior peso nos
maiores emissores, maiores responsáveis. Praticamente 75% de todas as emissões
de GEE’s são de 10 países e corporações, somado às emissões dos super ricos
responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Segundo a Stockholm Environment Institute (SEI) e a OXFAM, uma extrema
"desigualdade de carbono" ocorre entre os moradores do planeta, e os
mais pobres é que sofrem as piores consequências das mudanças climáticas.
É necessário refletir e (re)agir diante da frase aludida a Giordano Bruno (teólogo, filósofo, escritor, matemático, poeta, teórico de cosmología, ocultista hermético e frade dominicano italiano), “ingenuidade é pedir a quem tem poder mudar o poder”. A inércia, a omissão, o boicote, a ineficaz ação dos governantes e das grandes corporações, é que tem obstaculizado medidas concretas para o enfrentamento do aquecimento global, como por ex. definir o mapa do caminho para além dos combustíveis fosseis, que impõe planejamento, metas claras e financiamento.
_________________________________
*Físico, graduado pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP,
com mestrado em Ciências e Tecnologia Nuclear na UFPE, e doutorado em
Energética na Universidade de Marselha/Centro de Estudos de
Cadarache-Comissariado de Energia Atômica-França.
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