Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 - 12h18

O joanete não fica só no pé. Quando o dedão começa
a desviar e a região da base do dedo inflama, o corpo tenta se adaptar para
doer menos.
A pessoa muda a forma de apoiar o pé no chão,
encurta o passo, gira levemente a perna, evita colocar peso na parte da frente.
Esse ajuste parece pequeno, só que ele se repete centenas de vezes por dia, na
caminhada, na escada, no trabalho e até dentro de casa.
Quando a pisada muda, o resto da perna precisa
compensar. O tornozelo pode ficar mais rígido, o joelho passa a receber carga
em ângulos diferentes e o quadril pode trabalhar fora do que seria o mais
natural.
Com o tempo, isso pode virar dor no joelho,
incômodo no quadril e sensação de lombar cansada no fim do dia. Se você percebe
esse tipo de padrão, vale buscar avaliação com especialistas em joanete para entender o que
está acontecendo e evitar que a compensação vire uma rotina permanente.
É comum a pessoa pensar que o joanete é apenas uma
saliência no pé. Só que, na prática, ele pode mudar a mecânica do corpo
inteiro, principalmente quando há dor ao caminhar. A dor faz você poupar o
apoio, e essa economia de apoio cria uma nova forma de andar.
Se você já sentiu que um lado do corpo trabalha
mais, que a panturrilha cansa rápido, que o joelho estala mais de um lado ou
que a coluna reclama depois de andar, pode existir ligação com a maneira como
seu pé está apoiando.
Por que o joanete
muda a pisada
O joanete acontece quando o dedão desvia na direção
dos outros dedos e a base dele fica mais saliente. Em muitos casos, o pé também
fica mais largo na frente, o calçado aperta e a pele inflama. A partir daí,
duas coisas aparecem com frequência: dor no contato com o sapato e dor ao
empurrar o chão para dar o passo.
"Essas mudanças alteram o eixo da perna. Eixo
é um jeito simples de falar do alinhamento: para onde joelho e tornozelo
apontam quando você anda. Quando o pé gira ou perde força na frente, o joelho
pode girar junto, e o quadril também entra no pacote", ressalta Dr. Bruno
Air, especialista em ortopedia do pé em Goiânia.
Como o impacto pode
chegar ao joelho
O joelho é uma articulação que gosta de movimento
bem guiado. Quando o pé não apoia como antes, o joelho pode começar a trabalhar
em um trilho meio torto, mesmo que seja uma diferença discreta. O corpo aguenta
por um tempo, só que a repetição pode cobrar.
Nem toda dor no joelho vem do joanete. Só que,
quando a dor no pé existe e a pisada mudou, vale olhar o conjunto. Às vezes,
tratar só o joelho vira enxugar gelo, porque o corpo segue compensando pelo pé.
E a coluna entra
nessa história
A coluna, principalmente a lombar, reage quando
quadril e joelho trabalham fora do alinhamento. Um exemplo bem comum é a pessoa
ficar com um lado mais carregado que o outro. Sem perceber, ela joga mais peso
na perna que dói menos, encurta o passo do lado dolorido e cria um balanço
diferente do tronco. Isso pode gerar:
Quando você vê o corpo como uma cadeia, fica mais
fácil entender. Pé altera pisada, pisada altera joelho, joelho altera quadril,
quadril altera coluna. Não é uma regra fixa para todo mundo, só que é um caminho
bem comum quando há dor e compensação.
Sinais de que você
pode estar compensando sem perceber
Nem sempre a pessoa nota que está andando
diferente. Uma dica é observar sinais do dia a dia que aparecem junto com o
joanete:
Se esses sinais estão presentes, um profissional
pode avaliar a pisada, a mobilidade do tornozelo, a força do pé e o alinhamento
do joelho, sem depender só de olhar a saliência do joanete.
Cuidados práticos
que ajudam no dia a dia
Algumas escolhas simples diminuem a agressão na
região do joanete e podem reduzir a necessidade de compensar. Elas não
substituem avaliação, só ajudam a ganhar conforto e controlar piora.
Exercícios também podem ser úteis, quando
orientados de forma segura. Em geral, trabalhar mobilidade do tornozelo e
fortalecer a musculatura do pé melhora o controle do apoio. Só evite forçar o
dedão com dor forte, porque o objetivo é reduzir agressão, não aumentar.
Tratamentos mais
comuns e quando cada um faz sentido
O tratamento depende do quanto o joanete incomoda,
do grau de desvio, do tipo de calçado que você consegue usar e do quanto a
pisada já foi afetada. Em muitos casos, começa-se com medidas conservadoras.
Quando há dor persistente, limitação para
trabalhar, dificuldade para caminhar, piora progressiva do desvio ou falha das
medidas conservadoras, a cirurgia de joanetes percutânea
minimamente invasiva pode entrar como alternativa. Existem
técnicas diferentes, e um médico pode explicar qual se encaixa melhor no seu
caso.
Quando procurar
avaliação sem adiar
Alguns sinais pedem uma olhada mais rápida, porque
podem indicar que a compensação já está impactando outras áreas:
Uma avaliação bem feita costuma olhar o pé, a forma
de andar e o alinhamento do membro todo. Isso ajuda a entender se a dor no
joelho e na coluna está vindo só do esforço do dia ou se existe uma compensação
clara ligada ao joanete.
O que você pode
fazer hoje para reduzir a sobrecarga
Se você quer começar pelo básico, foque em diminuir
a dor no pé e em evitar o padrão de mancar ou torcer o corpo. Calçado
confortável, pausas, atenção ao desgaste do tênis e orientação profissional
fazem diferença.
Quando o joanete deixa de ser só um incômodo
estético e passa a mudar o jeito de pisar, cuidar cedo costuma evitar uma
sequência de dores que se espalha para joelho e coluna.
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