Terça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Artigo

IA na infância: alerta para mediação e para a terceirização do pensamento


IA na infância: alerta para mediação e para a terceirização do pensamento  - Gente de Opinião

O celular está cada vez mais presente na rotina das crianças. Com isso, pode acabar sendo visto como um brinquedo, pois seu uso é visto com mais naturalidade e frequência. Além de jogos e aplicativo de mensagens, o público infantil também está usando a inteligência artificial. Os pais têm papel fundamental na orientação sobre limites de uso e tempo. 

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 alerta sobre a popularização da ferramenta entre crianças e adolescentes. Ela aponta que 65% dos usuários de internet, entre 9 e 17 anos, utilizam a inteligência artificial em atividades como estudos, criação de conteúdos e questões emocionais. O levantamento mostrou que 59% utilizam IA para estudar, 42% para criar conteúdo e 10% para conversar sobre problemas pessoais ou emoções. 

Portanto, os adultos devem orientar e mediar o uso da IA assim como acontece com a televisão. É importante que exista a mediação cognitiva visando estimular a criança a pensar e questionar para que se forme o senso crítico. Ajude-a a identificar quando uma informação é verdadeira e o que compreendeu sobre o tema. 

Também é necessária a mediação emocional. A inteligência artificial oferece estímulos rápidos e respostas imediatas, o que pode levar a criança a evitar esforço, frustração e persistência. 

Além disso, oriente sobre segurança digital, não enviar dados pessoais, fotos e não enxergar a IA como amiga. Muitas vezes as crianças não entendem que uma informação exposta na internet é uma informação exposta no mundo. 

O principal risco da utilização da IA é a terceirização do pensamento.  Por isso, a criança só deve ter acesso após ter tido experiências em que tentou, experimentou, se frustrou, questionou e teve autonomia. A ferramenta deve ser apresentada como apoio à pesquisa e à ampliação do conhecimento, nunca como substituta do raciocínio próprio. 

Não há consenso sobre idade mínima, mas orientações gerais indicam que crianças menores de oito anos usem tecnologia apenas para fins lúdicos, de 10 a 12 anos com supervisão, para projetos escolares. 

Quando usada de maneira criteriosa ela pode auxiliar na aprendizagem, pensamento crítico, verificação de informações, fortalece autonomia, resiliência e a capacidade de resolver problemas. Porém, ela deve ser vista como uma tecnologia auxiliar e não deve substituir o brincar, a convivência social e as interações presenciais, fundamentais para o desenvolvimento infantil.

 

* Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

Gente de OpiniãoTerça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Soberania de Lula sobre minerais críticos é incompatível com a omissão e sucessivos cortes de recursos da ANM

Soberania de Lula sobre minerais críticos é incompatível com a omissão e sucessivos cortes de recursos da ANM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incorporou há um ano a soberania no discurso político-eleitoral, nos últimos meses com reforço à suposta prot

Fim da idade mínima na aposentadoria especial pode beneficiar milhares de segurados do INSS

Fim da idade mínima na aposentadoria especial pode beneficiar milhares de segurados do INSS

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional a exigência de idade mínima para a aposentadoria especial abriu um

O Monumento ao Esquecimento: As Ruínas de Luxo no Iata

O Monumento ao Esquecimento: As Ruínas de Luxo no Iata

No coração do distrito de Iata, a cerca de 27 quilômetros da civilização guajará-mirense, a história da Amazônia rondoniense costuma ser contada atr

“Trincheira da Liberdade” e “Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo”: dois livros em prol da cidadania

“Trincheira da Liberdade” e “Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo”: dois livros em prol da cidadania

O cientista político Luiz Felipe D'Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos

Gente de Opinião Terça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)