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Algumas considerações filosóficas acerca do suicídio


Algumas considerações filosóficas acerca do suicídio - Gente de Opinião

Primeiramente, devemos deixar claro, que a característica deste texto não se alinha aos rigores do mundo acadêmico, isto é, não possui a finalidade de explicar em minúcias o suicídio e suas diversas interpretações, que vão da Sociologia até outras ciências. Em outros termos, nosso intento é trazer algumas reflexões acerca de algo que tanto impressiona a sociedade contemporânea, dada a frequência com que o suicídio vem ocorrendo, bem como o preconceito que determinados setores da sociedade possuem a respeito do tema.

O suicídio, também denominado autocídio, chama atenção em seu aspecto filosófico mediante uma circunstância que merece consideração:  a questão da liberdade.

Quanto à referida questão, devemos nos questionar se de fato somos totalmente livres, uma vez que há acontecimentos e circunstâncias em nossas vidas que são independentes da nossa vontade e esforço, como o fato de vir ao mundo. O nascimento, por si só, é algo que vai além da nossa vontade. Muitas religiões, por exemplo, identificam o surgimento da vida de uma pessoa como uma oportunidade, uma dádiva divina; outros segmentos, por outro lado, encaram o nascimento como imposição.

O fato que geralmente se observa é de que quando a vida se torna extremamente amarga e angustiante, cheia de injustiças, onde inocentes padecem pela ação nefasta de terceiros, a ideia de suicídio parece um “refrigério em meio ao deserto escaldante”. Assim sendo, indagamos:

Se o nascimento, que muitas vezes é o veículo que nos leva aos inúmeros sofrimentos deste mundo, é algo que está além da nossa vontade (imposição), o suicídio seria um recurso capaz de amenizar a dor individual?

Nessa mesma perspectiva, seria racional viver com a dor, seja física ou psicológica, tendo o suicídio como um ponto final para as agruras da vida?  

Para nós, de fato, só resta demonstrar tais questionamentos, dada a complexidade do tema em questão. Porém, vale ressaltar que a consolidação do suicídio, sob o aspecto multifatorial, é o sintoma da morte afetiva, social, e econômica de outrem, isto é, a morte física precede a morte de vários outros aspectos da existência da pessoa que decidiu encerrar de modo trágico o seu sofrimento.

Por fim, do ponto de vista coletivo, o sofrimento é generalizado, haja vista a dor imensa causada aos familiares e amigos daquele que toma a infeliz decisão de matar a si mesmo. Nesse sentido, o suicídio é algo que denota brutalidade e inflama uma ferida que jamais será curada no seio da coletividade.

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