Porto Velho (RO) segunda-feira, 19 de agosto de 2019
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A PORTO VELHO, COM CARINHO


A PORTO VELHO, COM CARINHO - Gente de Opinião
Júlio Olivar

Porto Velho é pluralidade, caldeirão cultural de tantas personagens e nuanças. Sempre foi assim. Desde o precursor do jornalismo e das letras, Joaquim Tanajura; das artes plásticas, Afonso Ligório Souza;  da fotografia, Dana Merry, que registrou a odisseia da "ferrovia do diabo"; da poesia, Vespasiano Ramos...

Porto Velho é Manelão e "Vai quem quer", é jornal Alto Madeira, é Rádio Caiari, é Bailarina da Praça...É o antigo e o contemporâneo, é o sagrado e o profano.

Porto Velho é Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, é o bairro Caiari, é as Três Caixas d’Água, é o Mercado Cultural dos nossos cantadores da noite. Porto Velho e os excelentes festivais de cinema, os mercados tradicionais com seus cheiros e sabores típicos.

Porto Velho é a mistura de hábitos e sotaques, de índios, soldados da borracha, gente do sul, o namoro entre o boi-bumbá e o forró, passando por um vanerão no CTG e as boates da moda. É a delícia do tacacá, do açaí, dos pescados e a alta gastronomia.

Porto Velho é as reservas indígenas Karitiana, Kaxaraxi e Karipunas e as colônias de gente de várias partes do Globo.

As avenidas do fervor comercial. A Calçada da Fama  e os embalos de sábado à noite.  A Feira do Porto, o Espaço Alternativo, os parques, o PVh Shopping, as baladas e as madrugadas sem-fim na terra mais agitada e festeira...

Porto Velho é a Ponta do Abunã, é o lago do Cuniã; de um extremo a outro, a natureza em festa, permeada por lendas e tradições contadas por tanta gente simples e escritas por intelectuais do porte de Rita Queiroz.

Porto Velho são as histórias de Yêdda Borzacov, Alex Paletot, Abimael Machado, Anisio Gorayeb e outros que cultuam com devoção o nosso passado; são as  palavras características da cidade, muito bem pesquisadas pelo Beto Bertagna, e publicadas em seu “Vocabulário Popular de Porto Velho”.

O porto-velhense se encanta com as embarcações indo e vindo pelo cais do porto; aprecia as esculturas de Júlio Carvalho espalhados pelos quatro cantos da capital; e contempla o mais lindo pôr do sol do mundo.

O rio Madeira se traduz em metáfora; revela a miscigenação dos habitantes da cidade. A imponência do rio reflete a própria grandeza de Porto Velho, um dos maiores municípios do Planeta. E suas águas são abençoadas com 800 espécies de peixes, a maior quantidade entre todos os rios do mundo. Chama atenção o balé dos botos, a vida calma dos beiradeiros, a Igrejinha de Santo Antônio que a tudo assiste, ali da margem: dos velhos dias ao presente, com a instalação da imponente Usina de Santo Antônio.

Porto Velho é multicor, tem vitalidade, tem viço, tem brio, tem sabor e ritmo. O município nasceu num ambiente indígena, falando inglês, orgulhoso do seu estado de espírito.

Qual outra cidade pode contar a vantagem de ter sido levantada por trabalhadores de 50 pátrias? Por isso, o porto-velhense se sente um cidadão do mundo. E assim o é. Sem negar, claro, o sangue caboclo, ribeirinho, indígena. Porto Velho marcou posição de ser a cidade mais nordestina do Norte. Fala oxente sem pudor, mas de vez enquanto solta um “bah, tchê!”.

Vive em metamorfose, acompanhando os ciclos da borracha, da cassiterita, do ouro, da madeira, da ocupação desenfreada nas décadas de 70 e 80 em busca de abrir fronteiras agrícolas. E atualmente atravessa o ciclo de crescimento econômico advindo da construção das usinas do rio Madeira.

Porto Velho é a Casa de Cultura Ivan Marrocos, o Teatro Banzeiros, os imponente Teatro Palácio das Artes e Palácio Rio Madeira, o Museu do Presépio, o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a Biblioteca Francisco Meireles, a cidade cenográfica Jerusalém da Amazônia...

Porto Velho, com quase meio milhão de almas, é um mundo de estudantes que alegram as ruas por onde passam, colorindo a paisagem.  Cidade de muitas escolas, faculdades, universidade... E eles - crianças e jovens - alimentam o futuro de uma cidade que vai ser muito melhor, sem jamais perder sua essência.

A música “Amor Eterno”, do saudoso cantor porto-velhense Zezinho Maranhão, diz muito do sentimento que tenho por Porto Velho: “Os sinos dobram do amor mais forte que há / Minha manhã sem teu sol nunca existiu / Confesso, só você pode em mim mandar / Minha manhã sem teu sol nunca existiu / És para sempre a luz que me ilumina”.


 

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