Sexta-feira, 27 de junho de 2008 - 14h16
Pelo menos 23 mil matrizes leiteiras foram fecundadas através da inseminação artificial de forma positiva e cerca de 8 700 novilhas e garrotes de alta linhagem já nasceram pelo processo de inseminação artificial desde a implantação do Projeto Inseminar, em maio de 2004. O trabalho deve permitir que sejam incorporadas, no futuro breve, 30 mil reses leiteiras melhoradoras ao rebanho de Rondônia.
Inserido no Programa Pecuária Competitiva, da Secretaria de Estado da Agricultura, Produção e do Desenvolvimento Econômico e Social (Seapes), o projeto recebeu investimentos no valor de R$ 11,268 milhões nos últimos quatro anos e tem como principais objetivos difundir entre os agricultores de base familiar esta biotecnologia de melhoramento genético, fortalecer o associativismo via qualificação de mão-de-obra e contribuir para o desenvolvimento sustentável do meio rural, potencializando os sistemas de produção de leite.
Para isso, nos 43 municípios onde o projeto já está implantado, foram capacitados 186 inseminadores, ligados às 186 associações beneficiadas pelo programa - e cada inseminador foi selecionado pelos próprios vizinhos, agricultores de sua comunidade. A iniciativa tem acompanhamento da Emater/RO e é conduzida a partir de seis pólos regionais, com sede, respectivamente, em Ariquemes, Jaru, Ouro Preto, Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Colorado do Oeste.
Este é um trabalho de base, de orientação e conscientização do produtor sobre como se implanta tecnologia nas pequenas propriedades rurais, afirma o médico-veterinário José Lima de Aragão, um dos responsáveis pelo projeto. Segundo ele, entre os procedimentos técnicos apresentados aos produtores estão, por exemplo, a orientação para acasalamentos das F1 (bezerras nascidas na primeira geração) de forma a ser observado o grau do sangue das raças Gir e Holandesa na formação da base genética do rebanho.
Mestre pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), onde defendeu tese em 2006 sobre as vantagens da Inseminação Artificial (IA) sobre a Monta Natural (MN) em pequena propriedade rural associativista, Aragão diz que o índice de prenhez obtido até agora - 77% - demonstra a viabilidade da técnica para o pequeno produtor: Depois da capacitação, cada associação recebe, além de todo o material de consumo necessário, as 200 doses ofertadas, todas de sêmen de alta linhagem das raças Gir e Holandesa, e uma botija com 30 litros de nitrogênio líquido, suficiente para mantê-las resfriadas.
Segundo Marco Antonio Petisco, secretário titular da SEAPES, está prevista a implantação até meados de agosto dos três pólos restantes do projeto, em Alvorada do Oeste, Ji-Paraná e Porto Velho, totalizando 16 novas localidades a serem atendidas, entre municípios e distritos. Com isso, o programa irá abranger todo o Estado, perfazendo 300 associações beneficiadas, todas multiplicadoras dessa biotecnologia. Hoje, 1.400 produtores já participam da iniciativa.
A expansão em Rondônia das indústrias ligadas a este setor, como envasadoras de leite condensado e processadoras de leite em pó, sinaliza ao produtor uma diretriz cristalina: quanto mais produtividade, qualidade e preços viáveis na produção, mais lucro no final do mês. Este projeto, assim como o de granelização e outras iniciativas do Programa Pecuária Competitiva, caminha firmemente na direção de garantir a prosperidade e a sustentabilidade para a pecuária leiteira de Rondônia, resume o secretário da Seapes.
Fonte: Decom
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