Porto Velho (RO) segunda-feira, 21 de setembro de 2020
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MPF explica a trabalhadores rurais situação de terra indígena



Em reunião com representantes rurais, MPF informou que não há decisão judicial para desalojar famílias em Alvorada D'Oeste e Urupá

Representantes dos trabalhadores rurais de Alvorada D'Oeste e Urupá estiveram ontem na unidade do Ministério Público Federal (MPF) em Ji-Paraná para pedir esclarecimentos sobre a situação fundiária de uma faixa de terras que envolve os dois municípios. A área é considerada terra indígena dos índios isolados jurureís e os agricultores temem ser desalojados. O procurador da República Daniel tranqüilizou os representantes dos trabalhadores rurais, informando que a decisão judicial que tratou do assunto determinou exclusivamente a preservação ambiental da área e não há qualquer determinação para retirada dos atuais ocupantes. 

O procurador explicou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) considerava que os índios jurureí já estava extintos desde 1960 e que por esta razão a área não foi pesquisada anteriormente como sendo de ocupação indígena. Em 1996, descobriu-se que o povo indígena Jurureí estava vivo. O Tribunal Regional Federal (TRF) declarou em sua decisão que “eles (os índios) não foram extintos, não sumiram e nem desocuparam o lugar, apenas se mantiveram em movimentação constante (nômade) e escondidos, sem desejar contato com os ditos civilizados. Sua ocupação tradicional permaneceu, apesar de não ser aparente para nós.” 

Na mesma decisão do TRF, há esclarecimento de que o pedido do MPF não foi para desocupação da área pelos agricultores, mas para que determinasse a obrigação de preservar a área, ou seja, não desmatar ou realizar queimadas. A decisão do TRF foi baseada neste pedido. “Há na decisão a manifestação expressa no sentido de permanência dos agricultores, mas que eles devem preservar o meio ambiente em suas áreas”, esclareceu o procurador. Os representantes de trabalhadores rurais explicaram ao procurador Daniel Fontenele que há muita especulação sobre a retirada de famílias da área. “Não há nenhuma decisão judicial que embase este temor”, destacou Fontenele. 

A reunião no MPF teve a presença do vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetragro), Fábio Assis de Menezes; do presidente da Associação dos Produtores Rurais de Alvorada D'Oeste e Urupá (Apraur), José Altamir da Silva; do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urupá, José Félix da Silva; e do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alvorada D'Oeste, João Luiz Alves de Sousa.

Fonte: MPF/RO

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