Porto Velho (RO) segunda-feira, 1 de março de 2021
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GUAJARÁ-MIRIM: ABANDONO É A MARCA MAIOR DA CIDADE


Guajará-Mirim – Sujeira, matagal, lamaçal, ruas esburacadas, queixas de todos os lados e saudades (quem diria!) da administração do ex-prefeito Francisco Nogueira, quando várias obras urbanas foram realizadas e esta cidade era  conhecida por ser a mais limpa do Estado, mas isso foi no final da década de 1980.

De qualquer forma, ir à segunda cidade mais antiga de Rondônia ainda é um atrativo para muita gente, apesar da falta total de qualquer trabalho voltado ao turismo por parte dos órgãos públicos – uma amostra disso é que nos dias em que a cidade recebe mais visitantes, nos finais de semana, o museu da EFMM, principal referência histórico-cultural da Pérola do Mamoré, permanece fechado, com os turistas literalmente “batendo de cara na porta”, sem qualquer explicação maior ou melhor de quem quer que seja. Informações só com os taxistas de um ponto próximo: “O museu só abre 9 horas de segunda a sexta”, responde um deles.

“O pior é que as pessoas vêm aqui e passam direto para gastar na Bolívia”, reclama um comerciante alegando que falta “um trabalho da Associação Comercial e da Prefeitura para divulgar melhor Guajará-Mirim” e fazer com que as pessoas que vão fazer compras em La Banda também deixem um trocado a mais na Pérola.

SUJEIRA LATENTE

A via principal de acesso rodoviário a Guajará-Mirim é a avenida 15 de Novembro que, conforme moradores, foi urbanizada e iluminada pelo prefeito Francisco Nogueira (1989/1993), que hoje mora em Fortaleza. E ao entrar na cidade o visitante já leva um susto: há uma placa em que alguém (supõe-se seja a Prefeitura) pede desculpas pelos transtornos em razão de obras.

“Que obras?”, perguntou um professor de Educação Física que estava visitando. A pergunta pode ser feita por qualquer um, porque o lixo se acumula na lateral do passeio da 15 de Novembro, a lama e o matagal invadem a pista,  Até mesmo em volta do palácio Pérola do Mamoré, sede da Prefeitura, o gramado mais parece um capinzal onde qualquer um joga detritos.

“Mas temos prefeito”, garante um empresário do ramo hoteleiro que, no entanto, reclama, como todos, “da falta de um incentivo para nós façamos novos investimentos, e olha que nossa taxa de ocupação é boa, mas se a Prefeitura fizesse sua parte com certeza todos ganharíamos”.

Essa queixa também é ouvida de quem não tem investimentos financeiros para fazer, mas pretende investir em si mesmo: “Você estuda, quer ficar aqui e não tem opção de trabalho. Pior que muito comerciante ainda emprega pessoal que vem da Bolívia e que ganha menos do que a Lei manda”, reclamou Manoel Souza, 23 anos, desempregado, sentado num banco da praça em frente à Prefeitura e que, como todas outras, também está suja, enlameada e cheia de buracos.

Fonte: Lúcio Albuquerque

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