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SOJA, O ÚLTIMO CARRASCO DA AMAZÔNIA, DIZ EL PAÍS


 Conferência inicia hoje a etapa ministerial. Espera-se um novo protocolo contra o aquecimento global.

SOJA, O ÚLTIMO CARRASCO DA AMAZÔNIA, DIZ EL PAÍS - Gente de Opinião
Em 30 anos, mais devastada do que em 450 anos de colonização /IBGE
AGÊNCIA AMAZÔNIA
Com BBC Brasil e El País

BALI E BRASÍLIA –
A partir desta segunda-feira, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudança climática em Bali, na Indonésia, entra em sua fase crítica. Com um descanso no domingo, depois de seis dias de discussões, o evento ingressa em sua
etapa ministerial. Entre as diversas autoridades mundiais estão presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro do Exterior, Celso Amorim.
Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores, os debates entram em rítmo acelerado, porque algumas arestas ainda precisam ser aparadas.
"O começo foi tranqüilo, mas até sexta-feira à noite é que vai pegar fogo. Em Buenos Aires , a última sessão durou 26 horas", comentou à BBC Brasil o chefe da delegação brasileira em Bali, embaixador Everton Vargas.

O jornal El País, de Madri, Espanha, afirma que  "nos últimos 30 anos a Amazônia foi mais devastada que em 450 anos de colonização".
"Os destruidores são bem conhecidos: o comércio de madeira, a pecuária e a agricultura. E o último grande carrasco da Amazônia está começando a rondá-la: o plantio de soja." Para o influente jornal espanhol, "o mundo tem os olhos postos" sobre as riquezas da floresta. A Amazônia fornece "não apenas madeira preciosa, mas também o maior conjunto de minerais do mundo em seu subsolo, desde diamantes até caulim, a matéria-prima que serve para fabricar cerâmica, cosméticos e medicamentos".

Celebridades presentes

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Ambientalistas se manifestam em Bali /GETTY IMAGES-BBC
A reportagem alerta que, se o desmatamento não for combatido, grande parte da Amazônia "está ameaçada de desaparecer". E
sta hipótese é reforçada, segundo o jornal, pelo aquecimento global, que pode transformar um quinhão da Amazônia em savana. Para esta segunda semana do encontro, são esperadas também celebridades envolvidas em questões ambientais, entre elas, Leonardo di Caprio, Bianca Jagger e o ex-vice-presidente e Prêmio Nobel Al Gore.
Segundo negociadores, durante a primeira semana de reuniões, as questões mais polêmicas não avançaram muito, apesar dos discursos otimistas na primeira sessão, na última segunda-feira. "É comum a outras conferências que, na abertura, quando cada um expõe as suas idéias, que haja muita retórica", disse à BBC Brasil o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sérgio Serra. 

"Mapa do caminho"

Entre os assuntos mais polêmicos, está a discussão sobre como tratar o desmatamento evitado no chamado "mapa do caminho" de Bali – como foi apelidado o documento que deve ser assinado pelos ministros na sexta-feira.
Na parte dedicada à redução de emissões do desmatamento e degradação de florestas em países em desenvolvimento (REDD, na sigla em inglês), o Brasil defende uma proposta conhecida RED, ou seja, sem o D de degradação.

Além disso, há a questão de como remunerar os países que efetivamente evitarem o desmatamento. O Brasil prefere a criação de um fundo gerido pelo próprio país, enquanto a maior parte dos outros prefere receber créditos de carbono que seriam comerciados dentro do mercado de créditos de carbono que já existe.
Apesar de não aceitar a submissão a metas internacionais, o governo brasileiro afirma que está colocando em prática programas para combater o desmatamento que ao mesmo permitam o sustento dos 20 milhões de brasileiros que vivem na floresta.

Brasil emite 5 toneladas
SOJA, O ÚLTIMO CARRASCO DA AMAZÔNIA, DIZ EL PAÍS - Gente de Opinião Em termos absolutos, o Brasil é o quarto maior emissor mundial, responsável por 4% do total. Em termos proporcionais, a emissão brasileira é de 5 toneladas per capita, enquanto os Estados Unidos emitem 19 toneladas per capita.
▪ Das emissões brasileiras, 75% são causadas pelo desmatamento da Amazônia.

▪ Calcula-se que as emissões de dióxido de carbono decorrentes do desmatamento correspondam a 20% do total global.

▪ A conferência da ONU não deve discutir detalhes de metas de redução de emissões. No entanto, espera-se que, a partir dela sejam estruturadas discussões futuras, que devem culminar com um novo protocolo contra o aquecimento global.

▪ O acordo atual, assinado em Kyoto, no Japão, em 1997, vence em 2012, e prevê cortes de emissões de 5,2% nas emissões de dióxido de carbono nos países desenvolvidos em relação aos níveis de 1990.

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