Porto Velho (RO) quinta-feira, 22 de agosto de 2019
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Religião influencia decisão do Egito de sacrificar rebanho suíno



Margaret Coker, The Wall Street Journal

O Egito manteve ontem o plano de sacrificar todos os porcos do país, devido aos temores crescentes de que os animais, considerados impuros pela religião islâmica, possam causar uma epidemia de gripe suína no país africano.

Autoridades do Egito, onde a maioria da população é muçulmana, dizem que, como medida de saúde pública, pretendem sacrificar os cerca de 250.000 porcos criados pela minoria cristã copta, apesar do consenso científico internacional de que os animais em si não transmitem a doença a humanos. Mas o que deveria ser uma vigorosa resposta ao temor mundial da gripe suína acabou ressaltando falhas na política de saúde pública do país e se tornou também motivo de tensão religiosa.

Veterinários do governo visitaram bairros cristãos ontem para marcar os animais que serão sacrificados, um processo que pode demorar um ano diante da falta de abatedouros devidamente autorizados pelas lideranças religiosas para sacrificar os porcos.

"Não entendo a lógica da decisão do governo. Nossos porcos não estão doentes, mas querem matá-los do mesmo jeito", disse Hala Morcos, diretor-gerente da Maison Morcos, um dos maiores processadores de carne suína do Egito. "Eles estão matando nosso capital."

Ainda não foi diagnosticado nenhum caso de contaminação pelo vírus influenza A (H1N1) no Egito, mas o país tem um histórico conturbado de contenção de epidemias. Mais de 20 egípcios já morreram de gripe aviária desde que e doença chegou ao país, três anos atrás. A vítima mais recente morreu em abril. Os superlotados bairros do Cairo, onde famílias e animais muitas vezes vivem sob o mesmo teto, criam um ambiente fértil para a doença se espalhar.

A ordem do Ministério da Saúde de sacrificar todos os suínos satisfaz a disseminada crença de que os porcos são impuros. O comunicado foi divulgado logo após o encerramento de uma conferência no Cairo de teólogos islâmicos sobre saúde pública, que compararam a gripe suína a uma resposta divina contra um mundo infiel.

Autoridades do Ministério da Saúde não responderam a telefonemas com pedidos de entrevista.

A reação do Egito aos temores de epidemia mundial de gripe se repetiu em outros países árabes. Autoridades sanitárias dos países do Golfo Pérsico se reuniram na semana passada no emirado árabe do Catar para debater a gripe. Elas concordaram em aumentar a vigilância dos passageiros nos aeroportos, mas não anunciaram medidas de precaução, como elevar os estoques de remédios antivirais.

"Há essa ilusão, alimentada pela religião, de que os porcos são culpados", disse Kareem Gohar, um cristão copta que dirige uma consultoria no Cairo. "As pessoas precisam entender que, se há humanos doentes, então os governos, e não os animais, são responsáveis."

Os jornais egípcios iniciaram na semana passada uma guerra contra os suínos. Alguns chegaram a publicar mapas mostrando a localização de fazendas, para alertar os egípcios a evitar essas áreas. "O Egito não está distante da doença porque tem criações de porcos e muitos visitantes e turistas que entram e saem do país", alertou editorial do jornal governista "Al-Ahram".

Textos como esse inflamaram os ânimos entre a população muçulmana e a comunidade copta, que corresponde a cerca de 10% dos cerca de 80 milhões de egípcios.

Centenas de cristãos saíram às ruas no domingo para protestar quando o governo começou a sacrificar os animais. Em dois bairros no Cairo, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, prendendo dezenas de cristãos, segundo testemunhas. Em outro bairro, cinco policiais foram feridos quando produtores de suínos os atacaram com pedras, segundo a agência estatal de notícias do Egito.

As ruas estavam calmas ontem. Produtores e empresários do setor de carne suína afirmavam que, em vez de novos protestos, vão pressionar o governo a pagar indenização maior pelos rebanhos sacrificados. O governo prometeu pagar US$ 14 por animal sacrificado. Isso é menos de metade do valor de mercado, dizem os criadores.

Com informações do jornal Valor

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