Porto Velho (RO) terça-feira, 31 de março de 2020
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Padre catarinense é porta-voz da comunidade brasileira no Suriname



Diogo Vargas | Zero Hora

Há oito anos, quando foi enviado para a inédita missão internacional de sua vida no Suriname, o padre catarinense José Vergílio da Silva, 45 anos, não podia imaginar que ela se tornaria tão desafiadora. Depois dos ataques aos brasileiros garimpeiros que moram no país vizinho, na noite de Natal, o religioso de Lontras, cidade de 10 mil habitantes no Alto Vale do Itajaí, virou uma espécie de porta-voz da comunidade atingida.

O religioso divulgou fotos das vítimas do ataque da noite de Natal. As tristes imagens você confere na galeria de fotos. Nas palavras do próprio Vergílio, a atual realidade no Suriname é uma batalha que vai desde a busca por desaparecidos à liberdade de imprensa.

Ele contrariou as autoridades brasileiras ao revelar que há brasileiros mortos no Suriname. Nesta segunda-feira, no início da tarde, disse por telefone ao Diário Catarinense que a dificuldade estava no acesso às informações verdadeiras do que se passou na cidade surinamesa de Albina.

— Estamos numa batalha complicada aqui, que também envolve a política local. Temos dificuldades em números e de acesso aos locais. Queremos apenas a liberdade de imprensa para ajudar a população brasileira — declara Vergílio, em Paramaribo, a Capital do Suriname, a 150 quilômetros de Albina.

O padre passou o dia atendendo a telefonemas de rádios, jornais e emissoras de televisão do Brasil. Era difícil prolongar a conversa por muito tempo. À noite, apreensiva, a analista de qualidade Zilda da Silva, 36 anos, moradora de Indaial, no Vale do Itajaí, ainda não tinha conseguido falar com o irmão.

O missionário alterna o trabalho na catedral de Paramaribo e na rádio Katolica (www.radiokatolica.com), emissora comunitária FM do Suriname que ajudou a criar no final de 2006. A rádio divulga sua programação em língua portuguesa e é voltada ao propósito de evangelização aos milhares de brasileiros que vivem no Suriname — cerca de 40 mil, segundo o padre, a maioria do Maranhão, Pará, Mato Grosso e São Paulo.

A Katolica também toca músicas de cantores brasileiros, do sertanejo ao forró, e presta serviços aos ouvintes.

Nos últimos dias, a missão liderada pelo catarinense via rádio traz os relatos do sofrimento dos brasileiros aterrorizados com as agressões dos moradores locais, os "marrones". São descendentes de quilombolas que usaram de horror contra os brasileiros para impor a lei local, desafiando o poder público.

O padre esteve em Albina no sábado, prestou socorro e também gravou depoimentos de brasileiros. Nesta segunda-feira, havia a expectativa para localizar pessoas desaparecidas, pois o religioso acredita que há pelo menos sete mortos.

Ao mesmo tempo em que relatava o drama, Vergílio procurava tranquilizar sobre o atual momento, pois os ataques dos marrones haviam cessado.

Ataque

O ataque a brasileiros no Suriname seria uma vingança pela morte de um morador que teria sido assassinado por um brasileiro. A cidade de Albina, na fronteira com a Guiana Francesa, abriga minas de ouro, que emprega brasileiros ilegais.

Centenas de pessoas usaram machados e facões para atacar brasileiros e chineses. Mulheres foram estupradas e uma grávida perdeu o bebê 

Fonte: Zero Hora

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