Porto Velho (RO) quinta-feira, 15 de novembro de 2018
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Ministro boliviano pede tranqüilidade para negociar com Brasil


Agência O GloboLA PAZ - O novo ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, disse que chegou o momento de "moderar as declarações" e "acalmar a situação" com o Brasil.Em entrevista concedida à emissora "Telesur" e reproduzida nesta sexta-feira pelo canal estatal da Bolívia, Villegas disse que os dois países dependem um do outro, pois o gás boliviano tem "um peso específico importante" no mercado brasileiro.Segundo o ministro, a Bolívia exporta por dia, desde a semana passada, uma média de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás para o Brasil.- Eu acho que chegou a hora de Brasil e Bolívia moderarem suas declarações, pois a verdade é que têm uma dependência recíproca - afirmou o funcionário, que assumiu o cargo na última sexta após a renúncia de Andrés Soliz Rada.Soliz pediu demissão após o vice-presidente Álvaro García Linera ter desautorizado a resolução contra a Petrobras, que tinha provocado um cruzamento de declarações e ameaças entre as autoridades dos dois países.García Linera "congelou" a decisão de Soliz de passar o controle dos carburantes produzidos pelas duas refinarias da Petrobras para a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), medida que faz parte da nacionalização iniciada pelo presidente Evo Morales em maio de 2006.As declarações de Villegas para a Telesur contrastam com a posição assumida na última segunda, quando afirmou que "a Petrobras não dará o braço a torcer" e que a resolução sobre as refinarias só estava congelada para facilitar o diálogo.O ministro também afirmou que os dois países precisam iniciar um processo de negociação e confiança recíproca, assim "como foi estabelecido na norma jurídica" da nacionalização.- Sabemos muito bem que as negociações, certamente, não serão fáceis, pois a Petrobras é uma das empresas que tem uma importância significativa na Bolívia e a nacionalização leva a novas regras no jogo - declarou Villegas.Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse "reiteradamente" a Morales "que o Brasil aceita as novas regras escritas no decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos".O Ministério de Hidrocarbonetos informou que Villegas não dará mais declarações aos jornalistas sobre as negociações com as empresas petrolíferas a menos que seja necessário.Mesmo assim, foi confirmado que na próxima semana o ministro se reunirá com executivos da Petrobras em La Paz para dar continuidade às conversas e que o ministro de Energia e Minas do Brasil, Silas Rondeau, chegará ao país em 9 de outubro.O governo boliviano afirmou que o prazo para as petrolíferas que desejam continuar operando no país chegarem a um acordo é 28 de outubro, quando se esgotam os 180 dias estabelecidos no decreto de nacionalização.

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