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Lula deve ser mais realista na política externa, opinam brasilianistas


Mayumi Aibe - Agência O Globo RIO - Um possível segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser mais realista em relação à política externa, de acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO ONLINE. Quando Lula foi eleito, havia a expectativa de que assumisse o papel de líder de toda a América Latina, ajudado por sua trajetória política, que inspira a simpatia das massas. A liderança regional foi também tema da reportagem de capa da conceituada revista "The Economist". Intitulado "Quem lidera a América Latina? - Lula x Chávez", o texto diz que "ele (Lula) não é a voz mais forte que ecoa na América Latina, nem a mais de esquerda. E sim Hugo Chávez, o populista presidente venezuelano". No entanto, para o brasilianista e historiador Thomas Skidmore, fortalecer as relações externas da economia brasileira é mais importante do que consolidar a influência no continente, o que nenhum governo do país conseguiu. - O aspecto mais importante é a fortaleza econômica do Brasil, especialmente a capacidade de exportar para a Ásia. Este é o destino do Brasil. A luta do país é sair do estado de subdesenvolvimento e aumentar a taxa de crescimento, que é essencial para melhorar a vida da maioria da população - enfatizou Skidmore. A brasilianista americana Wendy Hunter, professora da Universidade do Texas, acredita que as expectativas iniciais do governo Lula eram altas demais quanto ao papel do Brasil no cenário mundial: - Dadas todas as limitações que conhecemos no sistema político brasileiro e no internacional, acho que Lula estava nadando contra a maré. Devemos olhar para trás e questionar por que chegamos a achar que ele poderia escapar destas pressões. Na opinião do historiador, decisões tomadas pelo governo como enviar tropas brasileiras para integrar a missão de paz das Nações Unidas no Haiti e pleitear um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU são "sonhos do Itamaraty". - (Obter uma vaga permanente no conselho) é um sonho da elite do Itamaraty. Tem pouca importância para a situação do povo brasileiro, são coisas do ego nacional - argumentou. Entretanto, Skidmore minimizou a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre o continente, que é considerada por muitos um dos maiores desafios das relações internacionais do Brasil. - Chávez é um palhaço inteligente. Mas a Venezuela não vai progredir com a política que ele está seguindo. A política interna do país está sendo completamente negligenciada Será um palhaço que desaparece do circo - ironizou. Segundo Wendy, os erros da política externa do governo Lula se devem, em parte, à falta de experiência do PT no assunto: - Historicamente, o partido conseguiu crescer e conquistar cargos em prefeituras e governos estaduais sem fazer muitos compromissos, mantendo a postura de oposição. Antes de chegar à Presidência, não sabíamos como seria a política externa do PT. O partido tinha a vantagem de criticar, mas não precisava assumir responsabilidades sobre política externa. De certa forma, nunca havia sido testado. A imagem de Lula no exterior Para os dois especialistas, a série de denúncias contra o governo Lula e o PT não abalaram a relação de Lula com a comunidade internacional e, especificamente, o governo dos Estados Unidos. - Os americanos notam que o povo brasileiro tem uma tolerância bastante grande com a corrupção. Mas eles são cínicos quanto a este problema porque acham que todos os políticos são corruptos. Não somos anjos, temos experiência com casos de corrupção envolvendo o governo - disse Skidmore. - O governo dos Estados Unidos não liga para denúncias de corrupção. Ele quer uma economia estável e um presidente moderado na região. Mas, aos olhos das pessoas que acompanham estas questões, acho que os escândalos feriram a imagem de Lula e de sua capacidade de exercer um tipo diferente de liderança - opinou Wendy. Quanto aos rumos do Brasil no exterior, Thomas Skidmore considera que a ênfase deve ser nas relações comerciais com a Ásia, especialmente a Índia e a China: - A América Latina está muito mais estagnada. O Brasil tem que olhar para a Ásia. Será a nova etapa da política externa.

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