Porto Velho (RO) sexta-feira, 12 de agosto de 2022
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Governo dos EUA quer discutir devastação


Leonel Rocha -  Correio Braziliense

O Brasil não terá como fugir do tema do desmatamento nas negociações internacionais sobre meio ambiente e a questão da manutenção das florestas já é um assunto "incontornável" para as principais diplomacias do mundo.  O alerta foi feito ontem, em Genebra, por um dos principais formuladores da política ambiental dos Estados Unidos, Daniel Reifsnyder.

O norte-americano, que chefia o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Estado, estima que não há como forçar um acordo com o Brasil para limitar o desmatamento.  Mas alerta que uma solução terá de ser encontrada para o problema.  "Os níveis de emissões de CO² do Brasil não são muito grandes.  Mas o problema é que o desmatamento de florestas pode representar até 20% de todas as emissões.  Por isso, a preservação da cobertura florestal é essencial", afirmou Reifsnyder, que tem em seu currículo a negociação de mais de 15 acordos ambientais em nome da Casa Branca.  "A questão da floresta não sairá da agenda internacional.  Não há como escapar dessa realidade", disse.

O governo norte-americano — que até hoje não assinou o Protocolo de Kyoto — quer que os países emergentes, como o Brasil, aceitem negociar no âmbito do G-8, neste ano, uma meta global de longo prazo para a redução de emissões de CO².  O grupo de países industrializados é presidido em 2008 pelo Japão, mas terá Brasil, China, Índia, México e África do Sul como convidados a debater uma série de assuntos.

Nos últimos anos, países como Alemanha e França têm insistido na necessidade de Brasil, China e Índia também aceitarem metas de corte de emissões de CO².  Os países emergentes, porém, alegam que não poderiam aceitar tais restrições, temendo perdas no crescimento econômico.  "Aceitamos a tese do crescimento econômico e queremos trabalhar em uma solução que considere esse aspecto", afirmou Reifsnyder.

A idéia da Casa Branca é de que uma taxa de corte de CO² seja estabelecida para os próximos 20 ou 30 anos.  "Passaremos então a negociar qual será a responsabilidade de cada um dos governos nessa visão para o futuro, inclusive a responsabilidade dos emergentes e como podemos ajudá-los", afirmou.  O norte-americano, que afirma ter passado os últimos anos debatendo como convencer os emergentes a aceitar uma meta de redução de CO², admite que um acordo com o Brasil nunca conseguirá ser imposto.  "Se fizermos isso, eles (brasileiros) vão abandonar o processo, como nós fizemos com (o Protocolo de) Kyoto", afirmou.  "Precisamos construir uma nova forma de confiança entre os governos e, assim, tenho certeza de que as negociações vão poder continuar", disse.  "Sabemos que esses países são contrários a metas específicas.  Mas acreditamos que há uma chance de se negociar pelo menos uma visão comum de quanto o mundo precisa reduzir em termos de emissões", completou Reifsnyder.

 


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