Porto Velho (RO) sábado, 17 de agosto de 2019
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Famílias brasileiras que vivem na fronteira com a Bolívia querem ficar no país vizinho



Trezentas das 500 famílias de brasileiros que vivem na região fronteiriça da Bolívia não querem voltar ao Brasil. Levantamento feito pela Organização Internacional para Migrações (OIM) mostra que as famílias preferem ser reassentadas em outras áreas bolivianas.

Uma lei daquele país proíbe a permanência de estrangeiros em uma faixa de 50 quilômetros a partir da fronteira.

Para o diretor do departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, embaixador Eduardo Gradilone, o dado impressiona.

"As nossas indicações eram que um número muito menor de brasileiros iria preferir ficar na Bolívia, longe dos lugares que atualmente ocupam. Nós achamos que temos que fazer outras averiguações para ter certeza de que os brasileiros querem exatamente isso."

De acordo com o embaixador, ainda não há prazo para a retirada dos brasileiros da fronteira, mas o cronograma da OIM estabelece uma nova data para o reassentamento daqueles que queiram continuar no país vizinho.

"Esse outro cronograma prevê, em relação às famílias brasileiras que queiram permanecer na Bolívia, que o reassentamento começaria a partir de 15 de dezembro."

Os brasileiros que queiram ser transferidos para outras áreas na Bolívia serão reassentados pela OIM, com recursos brasileiros. O realojamento dos que querem voltar ao Brasil ainda será discutido com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Durante a última semana uma missão diplomática foi enviada à fronteira para averiguar a situação dos brasileiros. Foram realizadas diversas reuniões entre representantes dos dois governos e da OIM.

Também foi instalado um consulado sazonal, em Puerto Evo Morales, na fronteira com o município Plácido de Castro, que vai funcionar até o fim de dezembro. Segundo o embaixador, a função do consulado itinerante é prestar auxílio e orientação aos brasileiros.

"Primeiro de tudo de informação, de explicar o que está acontecendo, o que o brasileiro tem que fazer, de orientá-lo em todos os sentidos em termos de documentação, de alternativas. Segundo, de funcionar como uma espécie de central de anotação de problemas, para que possamos reclamar para a OIM, ou para o governo boliviano e também para ficar de ponte com o nosso consulado em vários outros assuntos ligados à regularização migratória."

As pressões para que os brasileiros deixem a Bolívia tiveram início em maio de 2006, quando o governo boliviano decidiu cumprir a lei que proíbe estrangeiros de ocuparem a faixa de segurança, que se estende por 50 quilômetros a partir da fronteira. 

Fonte: Karina Cardoso/Agência Amazônia

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