Porto Velho (RO) sábado, 28 de março de 2020
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Educação integral chega a 85% das escolas e é destaque entre políticas chilenas


 
Amanda Cieglinski
Agência Brasil
 

Brasília - Entre os países da América Latina, o Chile pode ser considerado um modelo de boa educação. Destaque em avaliações internacionais, foi o país melhor colocado no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) nos últimos três anos.

Em visita a Brasília para participar de um encontro de ministros, o secretário executivo do Ministério da Educação chileno, Cristian Martinez, enumerou alguns fatores que podem justificar o sucesso do país. Entre eles está a educação em tempo integral, oferecida em cerca de 85% das escolas do país.

De acordo com Martinez, o Chile tem cerca de 3,8 milhões de alunos na rede pública – números modestos perto dos mais de 53 milhões do Brasil. A taxa de evasão na educação primária, equivalente ao nosso ensino fundamental, é de pouco mais de 1% e o analfabetismo atinge 3,8% da população maior de 15 anos. No Brasil, o índice é de 10%.

As crianças chilenas entram na escola aos 6 anos e cumprem obrigatoriamente 12 anos de estudos, até o ensino secundário. No Brasil, o ensino médio ainda não é obrigatório e a escolaridade compreende apenas a faixa etária dos 7 aos 14 anos.

Em entrevista à Agência Brasil, Martinez fala da experiência chilena e diz que o país também tem o que aprender com o Brasil.

Agência Brasil: Quais são os principais diferenciais que garantem os bons resultados da educação no Chile? 

Cristian Martinez: A principal diferença é que faz muitos anos, mais de 40 anos, que se fez um acordo político entre todos os setores - de oposição e de governo - para que a educação fosse um eixo fundamental na política de desenvolvimento do país. Por isso que os esforços em educação têm sido permanentes, não importa o governo que muda. Os programas são mantidos e há muitos investimentos em educação. Nos últimos 10 anos, o orçamento da educação mais do que triplicou. Além disso, houve a decisão de estender a jornada escolar e as crianças tem mais horas na escola. Isso significou investir em novos colégios, ampliar os que já existem , investir em mais horas-aulas para os professores e em outras metodologias educativas.

ABr: Quais são os desafios da educação no Chile agora?
Martinez
: Agora o desafio é aprofundar na qualidade. Já temos a cobertura, temos uma infraestrutura muito boa e os programas de apoio estão funcionando bastante bem. O desafio agora é formar melhor os nossos professores e garantir uma educação com mais qualidade.

ABr: O que precisa vir primeiro: garantir que todos estejam na escola ou uma educação de qualidade?
Martinez:
Acredito que o acesso à escola já marca uma diferença, avançar em cobertura é muito importante. Temos que pensar nesse avanço da cobertura aliada à qualidade, mas acredito que o principal é tirar as crianças da rua e levá-las à escola. Abrindo as portas de umas escola a criança pode deixar a rua, estar em um colégio, aprender, estar mais protegida e podemos focalizar em políticas de alimentação, vestuário e outras. A primeira fase de qualquer política deve ser a de abrir portas e ganhar a luta contra as ruas. E a fase seguinte deveria ser aprofundar a qualidade. O Chile tem uma boa cobertura no ensino básico, tanto o primário quanto o secundário. Hoje estamos abrindo muitas portas para as crianças em fase pré-escolar. Se não há recursos suficientes, há que priorizar a abertura dessas portas, para logo aprofundar em qualidade.

ABr: O que o Brasil e outros países da América Latina poderiam aprender com a experiência chilena?
Martinez:
Uma das coisas é o currículo que implementamos nos últimos anos. Ele é bastante flexível e pode ser adaptado de acordo com as necessidade das regiões e dos colégios. Há uma certa autonomia para que os colégios possam adaptar os planos e os programas. Mas o principal, eu acredito, é o efeito positivo da garantia da jornada estendida. A decisão de passar de duas jornadas – manhã e tarde – para uma jornada completa teve um grande impacto. Cerca de 85% dos colégios do Chile estão nessa situação. São muito mais horas de classe, maior permanência dos alunos e melhores resultados. Agora temos que aprofundar mais em qualidade e na formação de professores.

ABr: Qual é o objetivo do encontro com os outros ministros aqui no Brasil?
Martinez:
Nossa intenção é sempre conhecer o que está acontecendo na América Latina, temos uma disposição para compartilhar e conhecer boas práticas de outros países, creio que o Brasil tem muito a mostrar sobre o que tem feito em educação.

ABr: Quais projetos do Brasil interessam ao Chile?
Martinez:
O Bolsa Família é muito interessante, é um projeto muito potente. Os programas de alfabetização também são importantes. Apesar de praticamente toda a população do Chile estar alfabetizada, há zonas rurais em que é difícil chegar. As metodologias de ensino e as tecnologias de informação que estão sendo utilizadas aqui são muito interessantes. Vamos seguir compartilhando essas experiências.

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