Porto Velho (RO) terça-feira, 9 de agosto de 2022
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Conflito no Oriente Médio está longe de solução


Marcelo Brandão
Agência Brasil

Já passa de 600 o número de palestinos mortos no mais recente conflito na Faixa de Gaza e, apesar do pedido do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pela paz no território, a solução não parece simples nem próxima. Para a jornalista brasileira Guila Flint, que mora em Tel Aviv e faz a cobertura do Oriente Médio há 20 anos, o cenário tende a piorar antes de palestinos e israelenses chegarem à paz.

“Eu acho que ainda vai piorar muito antes de ter uma solução. Pode ser que este capítulo de agora termine em breve, nos próximos dias, mas isso não exclui a possibilidade de que daqui um ano ou seis meses haja uma nova erupção, um novo capítulo sangrento”, disse à Agência Brasil. Para ela, as recentes declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contribuem para a sequência dos conflitos.

“Eu acho que é um conflito de muito difícil solução porque o governo de Israel claramente não está disposto a abrir mão dos territórios ocupados. Esta é uma frase [sobre os territórios] que contradiz totalmente a suposta visão de dois Estados que Benjamin Netanyahu dizia ter”, explicou a jornalista, referindo-se a um discurso de Netanyahu na Universidade de Bar-Ilan, perto de Tel Aviv.

“A partir do momento em que esta é a posição do governo israelense [não abrir mão dos territórios], fica muito claro que a solução para o conflito entre Israel e palestinos está muito distante. Acredito que, até que haja uma solução, vai piorar muito”, explicou a jornalista, que participou do programa Espaço Público, da TV Brasil, na noite de hoje (22). Guila, no entanto, vê razões para que a recente ofensiva chegue a um cessar-fogo em breve.

Entre as razões para a pausa no conflito, segundo ela, está o isolamento do Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza. O Hamas não tem mais o apoio do Egito, com quem tinha relações amistosas durante o governo de Mohamed Morsi, deposto em 2013. Além disso, a pressão da comunidade internacional pelo cessar-fogo e a grande diferença bélica entre israelenses e palestinos, em grande desvantagem nesse sentido, deve contribuir para o fim dos conflitos atuais.

No meio do fogo cruzado, Guila e vários outros jornalistas buscam contar ao mundo o que veem na região. Neste cenário, segundo a jornalista, um dos grandes desafios é colocar no papel as informações com precisão. “Em uma situação de conflito há muita desinformação. Então, você tem que ter fontes muito boas e saber como manobrar dentro daquela loucura para obter a informação correta”.

Jornalistas como ela, não raro, passam por situações de risco. A mais emblemática da carreira de Guila foi em 2002, durante um dos levantes palestinos contra a ocupação israelense, conhecido como a Segunda Intifada. “Eu estava fazendo uma reportagem dentro da cidade palestina de Belém, no momento em que tanques israelenses ocuparam a cidade. Foi um momento de medo, porque o tanque que estava na minha frente poderia disparar contra mim”.

O risco, no entanto, às vezes é recompensado, segundo Guila. Para ela, os jornalistas têm o privilégio único de viver a história que a maioria das pessoas apenas assistem de longe. “Poder testemunhar de perto esses grandes dramas humanos é um privilégio que nós temos, de poder ver, conversar com as pessoas e ver a realidade, mesmo quando ela é desesperadora, triste. O que o mundo inteiro vê pela televisão ou lê nos jornais, a gente vê com os nossos próprios olhos e isso é um privilégio da nossa profissão”.

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