Porto Velho (RO) domingo, 16 de janeiro de 2022
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BID: Dívida da América Latina não está diminuindo


Gilbert Le Gras - Agência O Globo WASHINGTON (Reuters) - A dívida total dos governos da América Latina é maior do que alguns especialistas acreditavam ser e não está diminuindo, afirmou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). ``Usar a dívida total dos governos, que é uma medida mais abrangente, revela-se importante, porque focar exclusivamente na dívida externa tem levado alguns observadores a concluírem --erroneamente-- que a dívida dos governos está diminuindo na América Latina'', disse o banco em relatório intitulado ``Vivendo com a Dívida'', de 326 páginas. Em setembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que muitos países latino-americanos continuavam vulneráveis a grandes variações nos preços das exportações, devido à falta de poupança e de investimentos em infra-estrutura e da dívida relativamente elevada na Argentina, no Brasil e na Bolívia, superando 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A economia mundial tem seu maior crescimento em uma geração, e os juros estão baixos, fatores que incentivaram a procura por títulos de mercados emergentes, principalmente em nível local, mas também, em menor medida, em moedas estrangeiras, segundo o relatório. ``No fim das contas, o nível médio da dívida pública na região atualmente é similar ao que prevalecia no começo da década de 1990'', disse o BID. A América Latina se recuperou da chamada ``década perdida'', a de 1980, com vários títulos reestruturados, os Títulos Brady, assim batizados em alusão ao ex-secretário norte-americano do Tesouro Nicholas Brady, mentor da iniciativa. Os investidores costumam avaliar os dados macroeconômicos de um país para decidir se há ou não risco de calote, mas o BID diz que isso nem sempre funciona. ``Moratórias soberanas normalmente ocorrem depois que a economia de um país passou por sérios problemas e outras medidas fracassaram'', diz o relatório. ``A evidência empírica sugere que a moratória soberana não acontece quando os governos não precisam ou não prevêem a necessidade de financiar-se com credores, mas sim durante uma grave crise.'' O principal risco para as economias latino-americanas é um desaquecimento nos Estados Unidos, mas o nível relativamente elevado da dívida na região também é um fator de vulnerabilidade, disse em setembro Anoop Singh, diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental.

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