Porto Velho (RO) sexta-feira, 12 de agosto de 2022
×
Gente de Opinião

Mundo - Internacional

Abstenção do Brasil na ONU sobre o caso Líbia



Renata Giraldi
Agência Brasil


Brasília – O Brasil, a China, Índia, Rússia e Alemanha se abstiveram ontem (17) na votação, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, da resolução que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia e autoriza “todas as medidas necessárias” para “proteger civis e áreas habitadas [por civis]” de ataques das forças leais ao regime do presidente Muammar Khadafi.

De acordo com diplomatas, a posição brasileira é uma forma de demonstrar que o uso da força não é o ideal no momento. Diplomatas brasileiros afirmam que a abstenção, nesse caso, significa que o Brasil acreditava que havia espaço para a busca do diálogo como mecanismo para o cessar-fogo.

A representante do Brasil nas Nações Unidas, a embaixadora Maria Luiza Viotti, afirmou que a abstenção não deve ser interpretada como “endosso do comportamento das autoridades líbias ou como negligência”. Segundo ela, o governo brasileiro “não está convencido” de que o uso da força, como definido na resolução aprovada, levará ao fim da violência e garantirá a proteção aos civis.

A embaixadora disse que o Brasil é solidário às manifestações populares, que ocorrem no Norte da África e também no Oriente Médio. Para ela, são movimentos que expressam “reivindicações legítimas por melhor governança". A diplomata ressaltou que é necessário apoiar a Liga Árabe, que busca soluções para o impasse na região.

Ontem (17), o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, manifestou o receio do governo brasileiro sobre os efeitos causados por ações militares na Líbia. “Uma intervenção militar, mesmo que motivada pelos mais nobres sentimentos, pode desencadear uma onda de violência”, disse.

Patriota afirmou que a expectativa do governo brasileiro era a busca por soluções negociados, sem intervenções diretas na região. “Acho que [a comunidade internacional] deveria tentar alguma coisa, sem ações adicionais que têm o potencial desestabilizador. Merecem ser feitos esforços de diálogo para a redução da violência e uma saída política.”

Ontem à noite, o Conselho de Segurança das Nações aprovou a resolução por dez votos favoráveis e cinco abstenções, do total de 15 integrantes do órgão. Não houve votos contrários. A previsão é que os primeiros ataques contra a Líbia comecem nas próximas horas e sejam realizados pelas forças aéreas da França e da Grã-Bretanha.

A votação em Nova York ocorreu no mesmo dia em que Khadafi fez um discurso em que ameaçou lançar uma ofensiva contra a cidade de Benghazi – considerada a capital da oposição. No pronunciamento, o líder disse que a “hora da decisão chegou”. Segundo ele, os opositores que largarem as armas serão anistiados, mas “não haverá misericórdia nem compaixão” com os restantes.

As informações são da BBC, Brasil, da agência pública de notícias de Portugal, a Lusa, e do Ministério das Relações Exteriores.

 

Mais Sobre Mundo - Internacional

Missão em Israel proporciona grande experiência de fortalecimento comercial com produtos de Rondônia

Missão em Israel proporciona grande experiência de fortalecimento comercial com produtos de Rondônia

Uma missão para um país como Israel, que se reinventou superando adversidades naturais e políticas, torna-se de grande relevância estratégica para est

Em Tel Aviv, potenciais de Rondônia são apresentados para empresários em Missão Internacional do Sebrae

Em Tel Aviv, potenciais de Rondônia são apresentados para empresários em Missão Internacional do Sebrae

A Missão Internacional Israel, promovida pelo Sebrae em Rondônia deve gerar grande frutos em breve. Empreendedores rondonienses compuseram a comitiv

Ômicron deve infectar mais da metade da Europa em 6 a 8 meses, segundo a OMS

Ômicron deve infectar mais da metade da Europa em 6 a 8 meses, segundo a OMS

Mais da metade da população europeia deve ser infectada pela variante Ômicron do coronavírus nas próximas seis a oito semanas, disse nesta terça-fei

MSF encontra 10 mortos em barco de madeira à deriva no Mediterrâneo

MSF encontra 10 mortos em barco de madeira à deriva no Mediterrâneo

Em 16 de novembro, durante uma difícil operação de busca e resgate a menos de 30 milhas náuticas da costa da Líbia no Mediterrâneo Central, a equipe