Quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Vergonha: a fumaça voltou


Professor Nazareno*

            Não é novidade para ninguém que Porto Velho, a suja, abandonada, poeirenta e distante capital de Rondônia tem um dos piores IDH’s, Índice de Desenvolvimento Humano, do Brasil e talvez do mundo. Falar mal desta capital e de sua anacrônica infraestrutura urbana já se tornou uma terrível rotina há muito tempo. E o pior: a cada ano que passa parece que as coisas só pioram. Durante o inverno, a situação fica mais do que caótica com as constantes alagações, lama, podridão, monturo, ratos, carniça, urubus e toda sorte de imundícies. No verão, embora sejam só dois meses de estiagem, a poeira toma conta das esburacadas ruas. E para piorar o drama, a fumaça das queimadas urbanas e rurais dá o tom ao combalido meio ambiente. Doenças alérgicas e do trato respiratório transformam diariamente a vida por aqui em um verdadeiro inferno.

            Parece até que não existe Governo nem Poder Público por estas bandas. A notória inoperância dos muitos órgãos de fiscalização ambiental, tanto do Estado quanto dos municípios, todos praticamente “perdidos” em tempos de eleições e tudo isto associado a uma quase inexistente consciência ambiental por parte da maioria dos habitantes faz com que a pouca qualidade do ar diminua ainda mais. Impossível respirar com tanta fumaça, fedor de bichos mortos e poeira no ambiente. A última grande “hecatombe climática” verificada em Porto Velho foi coincidentemente em 2010, ano das últimas eleições estaduais e nacionais. Tomara Deus que neste período de escolhas das novas autoridades, não haja o arrefecimento da fiscalização sobre quem insiste em resolver seu problema particular sem levar em conta que vivemos em sociedade.

            Viver em Porto Velho não é fácil. Entra Prefeito e sai Prefeito e a situação não dá sinais de que um dia vai melhorar. Trânsito caótico, desorganização urbana, excesso de obras inacabadas, sujeira espalhada pelas ruas, lama podre e água contaminada no inverno e poeira associada à carniça no verão é a triste rotina de quem insiste em continuar sobrevivendo nesta capital. Como se não bastasse este imenso rosário de desgraças e amarguras, eis que à noite enfrenta-se uma escuridão que faz isto aqui se parecer com uma espécie de filial do inferno. Agora, com a fumaça absurda que somos obrigados a respirar, por absoluta incompetência de quem devia evitá-la, a situação é de calamidade pública e de caos generalizado. Quem mora em Porto Velho só poderá ver o fundo do poço se olhar para cima. Estamos bem pior do que se possa imaginar.

            Em tempos de eleições, o que mais se tem observado é a maioria dos candidatos hipocritamente falar em dignidade, trabalho, honra, decência, respeito, dentre outras palavras puramente “virtuais” que jamais serão postas em prática. Os malditos não percebem que estamos precisando de “promessas novas”. Em meio ambiente quase nada se ouve falar. Nem nos partidos que usam esse termo para se promoverem e arrebatar votos dos incautos e trouxas. Para muitos destes candidatos, qualidade de vida é um assunto esquecido que só pode e deve existir no mundo desenvolvido e civilizado. Essa gente devia se acanhar e entender que essas criminosas queimadas deviam ser denunciadas e punidas. Todos perdem quando respiramos este ar poluído pela cínica ambição do bicho homem. E se São Pedro não mandar chuva logo, logo, vamos ter que aguentar mais este pesadelo. Rinite, sinusite, labirintite e outros males nos aguardam.
 

*É Professor em Porto Velho.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Com o objetivo de fortalecer a preservação das espécies nativas da região amazônica e garantir a biodiversidade, 228 mil filhotes de tartarugas-da A

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Há cerca de 39 anos atrás um Quilombola, nascido no Vale do Guaporé, preocupado com o possível extermínio dos Quelônios (Tracajás, Tartarugas e outr

Gente de Opinião Quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)