Porto Velho (RO) domingo, 25 de outubro de 2020
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Meio Ambiente

Vale do Guaporé – O milagre da reprodução


Fotos R. Machado - Gente de Opinião
Fotos R. Machado

Em meados do mês de julho, quando reaparecem as lindas praias ao longo do Rio Guaporé e seus afluentes, começam a chegar para mais uma temporada de desova uns personagens bem interessantes e enigmáticos.

Primeiramente chegam os Talha Mar – Rynchops Níger que se deslocam do Canadá e Penísula de Yukatan até as areias douradas onde depositam seus ovos em covas rasas e ficam de guarda até os filhotes emplumarem e quando chega o mês de agosto para setembro, os filhotes bem alimentados de peixes, devidamente fortes e emplumados, retornam à América do Norte. Aí que entra

o grande enigma: são Norte Americanos ou Rondoniense já que nasceram em praias brasileiras?

Com a saída destes exóticos pássaros das praias, começam a ocupar o local os tracajás. Eles vão chegando ao entardecer e passam todo o período noturno depositando seus ovos em covas, ou ninhos. Normalmente cada ninho são depositados em torno de 36 ovos e nesta temporada dos tracajás, nas praias sob a vigilância da Eco Vale, foram identificadas e marcadas 9.789 ninhos, e teoricamente irão eclodir 352.404 filhotes.

Acontece que existe uma cadeia alimentar bem significativa nas praias onde acontecem as desovas. São os urubus, gaviões e camaleões que destroem os ninhos para comer os ovos.

Outro fator preocupante é o ataque das onças, que são bem numerosas na Região. Elas aproveitam do momento em que os tracajás estão desovando, para atacar e levar suas presas pra comer na floresta próxima.

Rastos destes felinos são encontrados em todas as praias onde ocorrem a desova.

Pelo controle da Natureza, na segunda quinzena de setembro, começa a agitação das tartarugas. Elas fazem um enorme alvoroço em torno das praias, onde ano após ano, retornam as mesmas praias e por incrível que pareça, no mesmo local onde desovaram no ano anterior, depositam seus ovos. Cada tartaruga coloca em seus ninhos em torno de 160 ovos e retornam imediatamente ao Rio Guaporé. Algumas devido a idade e grande esforço não conseguem voltar é neste momento que os praieiros – fiscais das praias – colocam elas nas costas e devolvem ao rio. Não dá pra salvar todas, mais em sua maioria levadas de volta as águas do Guaporé.

Na temporada passada, eclodiram mais de 4 milhões de filhotes, entre tracajás, tartarugas e matá matá e deste total menos de 0001% consegue sobreviver. A famosa Cadeia Alimentar entra em ação; desta vez são os vorazes peixes e jacarés que ficam na espreita quando são devolvidos ao grande Rio, os indefesos filhotes.

E A VIDA CONTINUA....


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