Sexta-feira, 14 de março de 2008 - 07h58
Thais Iervolino - www.Amazonia.org.br
"Exija responsabilidade do BBVA e Santander", essa é a campanha lançada essa semana pela Setem, organização da sociedade civil espanhola, que denuncia o BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria) e o Santander por investirem em projetos que impactam negativamente a região amazônica no Brasil e no Peru. "A campanha é resultado de uma ampla pesquisa na qual pudemos investigar as conseqüências de todas as ações financiadas por eles", diz Annie Yumi Joh, coordenadora de campanhas da Setem.
Um dos projetos promovidos pelo Santander é justamente a construção da hidrelétrica no rio Madeira. "Como não podemos acompanhar mais de perto o caso, decidimos apoiar as ações brasileiras contra a construção e, na Espanha, fazer um lobby para impedir o financiamento do banco", explica Annie. Além disso, a campanha quer alertar a sociedade sobre o hiato entre discurso e prática dos bancos: "Há uma incoerência. Ao mesmo tempo que essas duas entidades financeiras assinam compromissos sobre a RSC [Responsabilidade Social Corporativa], na América Latina elas financiam projetos como esses, que prejudicam milhares de famílias e os ecossistemas", comenta ela.
A campanha
Por meio de assinaturas on-line e em abaixo-assinado, a organização pretende fazer uma pressão aos bancos, manifestando a preocupação por esses atos e exigindo que essas instituições financeiras deixem de financiar esses projetos. Nesta semana, a coordenadora se reúne com representantes das duas instituições para apresentar a campanha.
Rio Madeira
O plano do complexo prevê a construção das hidrelétricas de Santo Antônio, Jirau, Guajará e Cachoeira Esperança; a construção de eclusas, hidrovias e de uma grande linha de transmissão de energia que vai de Porto Velho até São Paulo.
Segundo a Setem, seria preciso inundar mais de 500 quilômetros quadrados de terras (mais de 50 mil hectares) e mais de 5 mil famílias seriam atingidas diretamente com a construção apenas das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau . Ganhariam com a construção os donos das barragens e as empreiteiras.
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