Porto Velho (RO) segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
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Meio Ambiente

REVISTA VEJA: Desmatamento cresce 600% na fronteira


Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), coletados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), mostram que na região da fronteira de Rondônia com a Bolívia, a derrubada de floresta cresceu 600% entre setembro de 2006 e o mesmo período deste ano. Pelas informações do Deter, entre junho e setembro deste ano a derrubada de floresta aumentou 107% em Mato Grosso, 53% em Rondônia, e 3% no Acre. Mas, enquanto em Mato Grosso, entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, a área desmatada cresceu de 211 para 389 quilômetros quadrados (84% mais), em Rondônia, passou de 42 quilômetros quadrados em setembro de 2006 para 295 quilômetros quadrados no mês passado (mais 602%).
As fotos do satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece as informações para o sistema Deter, mostram ainda que, nos nove Estados amazônicos (AC, AM, AP, MA, MT, PA, RO, RR e TO), o desmatamento  forma um "caminho de clareiras" que começa no sul do Pará, passa pelo norte de Tocantins e de Mato Grosso e sobe pela região da fronteira de Rondônia com a Bolívia.
De acordo com os funcionários do Ibama e dos órgãos estaduais de administração do meio ambiente, consultados pelo jornal O Estado de S.Paulo em reportagem deste domingo, dois fatores principais podem ter contribuído para a explosão do desmatamento na região. O primeiro é o incremento de atividade econômica provocado pela expectativa da construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, prevista para acontecer entre 2008 e 2012.
O segundo fator é a transferência da responsabilidade pela concessão de autorizações para manejo na floresta que passou da União para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), em agosto do ano passado. Isso inclui a concessão para as empresas comprarem e venderem madeira. O problema da transferência das concessões de floresta da União para o Estado de Rondônia resume-se no fato de que a secretaria estadual não tem pessoal suficiente para fiscalizar as áreas concedidas.
Escândalo - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, percorreu a região amazônica para ver com os próprios olhos o tamanho do desmatamento na região amazônica. Ele foi acompanhado pelo  comandante do 6º Batalhão de Infantaria de Selva, tenente coronel Paulo Eduardo Monteiro, que fica em Guajará Mirim, a 340 quilômetros de Porto Velho, na fronteira com a Bolívia. "Antes de chegar aqui, quando falavam em desmatamento na Amazônia, quando via isso na TV, achava que era exagero da mídia, que era tudo uma coisa fantasiosa. Ao contrário: nada do que estou vendo aqui é mostrado. Há um completo desconhecimento no resto do País sobre o que acontece neste Estado. Ninguém fala deste desmatamento aqui", afirmou o coronel em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: Revista Veja

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