Porto Velho (RO) terça-feira, 12 de novembro de 2019
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Meio Ambiente

Reforma agrária beneficia ribeirinhos


Reconhecer os direitos das populações tradicionais é uma nova e eficaz forma de fazer a Reforma Agrária em Rondônia. No caso das 10 famílias de seringueiros da Reserva Extrativista (Resex) Barreiro das Antas, a 8 horas de barco de Guajará-Mirim, a condição de assentado garantiu acesso aos programas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Com a criação da reserva, em 2001, além de terem a floresta protegida por lei, os seringueiros receberam do Incra benefícios que possibilitaram uma boa vida para suas companheiras e filhos. Foram R$ 7,4 mil em créditos para cada família construir ou reformar sua casa e, só em 2006, mais de R$ 69 mil do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para compra de motores, casa de farinha, abertura de estradas de seringa e piques de castanha e investimento na plantação de mandioca.


O resultado dos investimentos está na ponta da língua dos moradores. "O Incra deu muito direito para nós", diz João Ferreira Lopes, seringueiro há 40 anos e morador da Resex. "Melhorou bastante a vida, principalmente com o dinheiro que peguei agora. Na cidade não é bom, aqui já tô acostumado", confirma Sebastião Jacome Lopes.

 

Harmonia com a natureza

"Vamos preservar nossa reserva em flor. Vamos preservar nossa reserva com muito amor". Os versos de Rosanilde Ferreira de Melo, moradora do Barreiro das Antas, mostram que o respeito aos recursos naturais faz parte do dia-a-dia dessas famílias, afinal, precisam da floresta em pé para se sustentar. Como fiscais, os moradores zelam pela natureza. "Cuidamos para não entrar nenhum destruidor e se chega alguém novo, primeiro tem que ser aceito pela Associação", explica José Maria Jacome Lopes, líder comunitário.

Mas não é de agora que o seringueiro tem essa relação de harmonia com a natureza. "Todas as reservas extrativistas nasceram da luta dos seringueiros, é por isso que cada um tem seu lugar hoje", revela José Maria dos Santos, ex-seringalista, hoje funcionário do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Foi pelo desejo de ter suas "colocações" preservadas por lei que o movimento de Chico Mendes impulsionou a criação da primeira reserva extrativista, em Xapuri, no Acre. Hoje, a exemplo das outras trinta reservas federais, os moradores do Barreiro das Antas dão uma verdadeira lição ambiental, aprendida na vida. "Isso é nosso, meu irmão, nós temos que preservar", conclui a poeta Rosanilde.  

Fonte: Venessa Ibrahin - INCRA

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