Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Planejamento urbano pode evitar tragédia



A ocupação urbana de forma indiscriminada, com construção em áreas de risco, associada às mudanças climáticas contribuiu com a ocorrência da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro. A opinião foi manifestada por especialistas que participaram nesta quinta-feira (20) da reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional, convocada para debater a situação por que passam os estados do Sudeste, em razão das chuvas intensas.

Na avaliação do representante da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e professor da Universidade de Brasília, André Pacheco Assis, a ocupação urbana irresponsável favorece as tragédias. O planejamento territorial urbano com mapeamento das áreas de risco e a proibição de construção nessas áreas, segundo o especialista, evitariam catástrofes. Ele também sugeriu o gerenciamento de risco e prevenção de desastre com a instalação de centros de prevenção nos municípios.

O especialista lembrou que, depois das enchentes em Joinville (SC) e dos deslizamentos em Angra dos Reis (RJ), nos últimos anos, a ABMS elaborou documentos com as causa dos desastres, e com as propostas para evitá-las. Do ponto de vista de engenharia e geologia aplicada, destacou, obras construídas e apoiadas em materiais geológicos não recomendados, associadas às atividades climáticas, poderão resultar em mais tragédias.

André Pacheco Assis garantiu que existe tecnologia disponível para minimizar as consequências das atividades climáticas, apesar de não ser possível evitá-las completamente. Ele disse ainda que algumas cidades estão integralmente situadas em áreas de risco. Por isso, devem ser usadas todas as soluções possíveis para minimizar os problemas, muitas vezes gerados pela ação humana.

- Tem solução? Tem. Há soluções técnicas para minimizar as conseqüências dos desastres. Em momento de dor, se fala muito, mas quando o sol volta e o céu fica azul, não existe ação política para evitar esse cenário - observou.

Também o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, defendeu o mapeamento das áreas de risco e instalação de unidades com radares e equipe de observação das condições climáticas funcionando 24 horas.

Tais unidades, associadas à defesa civil, devem alertar e retirar as pessoas de locais sujeitos a desastre. Segundo Luiz de Castro, o modelo foi utilizado em Caracas (Venezuela), onde o número de mortes em razão da ocorrência de chuva teria caído de 20 mil para 200. A proibição de construção em áreas de risco também é uma das recomendações do secretário.

Luiz de Castro alertou que cada vez mais haverá ocorrência de problemas associados ao clima, o que requer investimentos adequados. Ele disse estar "indignado" com a forma irresponsável como a tragédia do Rio de Janeiro é tratada pelas pessoas, pelas autoridades e em programas televisivos.

Fonte: Agência Senado


 

Gente de OpiniãoSexta-feira, 2 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Com o objetivo de fortalecer a preservação das espécies nativas da região amazônica e garantir a biodiversidade, 228 mil filhotes de tartarugas-da A

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Há cerca de 39 anos atrás um Quilombola, nascido no Vale do Guaporé, preocupado com o possível extermínio dos Quelônios (Tracajás, Tartarugas e outr

Gente de Opinião Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)