Porto Velho (RO) domingo, 17 de fevereiro de 2019
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Meio Ambiente

Panobianco: Sistema de chuvas intensas ainda está ativo



 
O grande sistema de tempestades que devastou a Região Serrana criou uma série de trombas d'água nas montanhas. O número preciso é impossível determinar. As nuvens despejaram milhões de litros de água no alto dos morros. Essa água encharcou o solo e sobrecarregou córregos e rios. Em menos de uma hora de chuva, riachos de centímetros viraram rios com metros de profundidade, que irromperam pelas encostas tragando terra, rochas, árvores, casas e vidas.

Especialistas estimam que a velocidade da água chegou a 100km/h, o suficiente para inundar e arrastar casas em minutos. Uma vez no caminho de uma tromba d'água é quase impossível escapar. Tromba d'água, cabeça d'água - e até tsunami interior, como foi chamada este ano numa alagada Austrália -, a enxurrada tem vários nomes. E a Região Serrana reúne todas as condições para transformar uma enxurrada numa máquina de destruição em massa. As encostas são íngremes e irregulares, há centenas de pequenos córregos e rios. A chuva pode ser intensa - e o desmatamento piora tudo. Os vales são estreitos e profundos, canalizando a água e favorecendo inundações.

- É um terreno complexo, de paredões. O caminho é estreito. Isso aumentou dramaticamente a velocidade da água - explica Ernani Nascimento, professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria e especialista em tempestades.

Muita gente, pouco cuidado. Ainda assim, trombas d'águas não são excepcionais. Elas sempre existiram. O que aumentou foi o número de pessoas onde ninguém deveria morar. Não raro volumes brutais de chuva caem no mar, mas isso não chama atenção pela óbvia razão de que lá não há ninguém.

- Não é vingança da natureza. Só que não havia tanta gente antes. Há gente demais em áreas de altíssimo risco. Tempestades sabidamente são frequentes e piores em regiões de montanha. Houve uma combinação infeliz de uma chuva intensa desabar sobre uma região vulnerável e povoada, frisa Isimar de Azevedo Santos, do Departamento de Meteorologia da UFRJ.

(Fonte: De olho no tempo, com informações O Globo)
 

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