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Meio Ambiente

ONGs divulgam lista dos amigos e inimigos da Amazônia



Roberta Lopes*
Agência Brasil


Organizações não governamentais divulgaram hoje (5) a lista dos parlamentares amigos e inimigos da Amazônia. A lista que tem sua primeira edição neste ano foi organizada pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que reúne mais de 600 entidades.

Segundo coordenador de políticas públicas do Instituto Socioambiental (ISA), Raul do Valle, a lista é para conscientizar o sociedade sobre quem são os parlamentares que atuam em defesa do meio ambiente. “É uma forma de dar subsídio para que os cidadãos saibam quem está atuando em defesa ou contra a Amazônia e para mostrar aos parlamentares que a sociedade está atenta e para que eles possam refletir sobre o que estão fazendo de bom ou de ruim”, explicou.

A lista foi dividida em duas categorias: amigos e inimigos da Amazônia. Nestas categorias, há duas subcategorias: "espécies nativas" (parlamentares da região amazônica) e "exóticas" (aqueles de estados que não fazem parte da região amazônica).

Entre os amigos, as "espécies nativas" são a senadora Marina Silva (PT-AC), o senador Jose Nery (PSOL-PA) e o deputado Sarney Filho (PV-MA). No grupo de amigos e exóticos, estão os senadores Aloísio mercadante (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Renato Casagrande (PSB-ES) e deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Valle explicou que a lista avalia “o conjunto da obra” de cada parlamentar, seja um projeto de lei ou uma ação pública defendendo ou prejudicando o meio ambiente. Segundo ele, um dos pontos que pesou na escolha dos deputados foi a votação da Medida Provisória 458, que regulamenta a questão fundiária na amazônia. Valle disse que essa medida, na verdade, regulamenta a grilagem de terra na Amazônia.

“A proposta de legalizar terras para pessoas jurídicas, ocupantes indiretos, ou seja, pessoas que moram em São Paulo ou no Rio Grande do Sul e mantém prepostos, empregados ou capangas na terra. Eles vão conseguir terras públicas. Entendemos que essa medida vai contra os princípios de democratização do acesso à terra e de combate ao desmatamento ilegal”, disse.

A lista dos inimigos incluiu, entre outros parlamentares, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e os deputados Asbrubal Bentes (PMDB-PA) e Valdir Colato (PMDB-SC).

O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) afirmou que as entidades responsáveis pelo “prêmio” não tem legitimidade para dizer quem é amigo ou inimigo da floresta. “Eu sou um amazônida, nascido e criado na região, ao contrário dessas entidades, que não têm autoridade nem legitimidade. Quem tem que dizer isso é o povo da Amazônia”, rebateu.

Em relação à Medida Provisória 458, relatada por ele na Câmara e aprovada ontem (4) no Senado, e que segundo as entidades justifica a entrega do prêmio ao deputado, Bentes afirmou que as entidades desconhecem o texto ou agiram de má-fé na interpretação. “Com a MP, o governo vai tirar da ilegalidade 1,5 milhão de pessoas que vivem na Amazônia”, argumentou.

Outro “inimigo da Amazônia”, na avaliação das ONGs, o deputado Valdir Collato, disse que desconhece a premiação e as entidades que organizaram o ato. “Essas pessoas não tem mandato nem representação legal para falar em nome de ninguém”, respondeu.

Colatto acusou as ONGs de agir contra parlamentares para ganhar espaço na mídia e afirmou que os  maiores desmatadores da Amazônia são militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

“Esse pessoal de ONG têm que ir em uma fazenda minha em Vilhena (RO), onde durante 30 anos eu preservei, não cortei uma árvore e depois o MST chegou lá e derrubou tudo. Eu fiz até um dossiê sobre isso e mostrei para oMinc [Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente], esse falastrão, e ele não fez nada com esses que são os verdadeiros desmatadores da Amazônia”, relatou.

O coordenador de políticas públicas do ISA afirmou ainda que o prêmio Amigos e Inimigos da Amazônia será entregue em uma cerimônia para cada um dos parlamentares que fazem parte da lista. A data ainda não foi definida.
 

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