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Manejo do pirarucu no Amazonas recebe apoio do MDA


Os pirarucus são peixes típicos da região amazônica. Podem chegar a 3 metros de cumprimento e pesar 250 quilos
A Associação de Engenheiros de Pesca do Amazonas e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) promovem neste final de semana, no Complexo Lacustre do Rio Arari, em Itacoatiara, a cerca de 175 quilômetros de Manaus, a contagem, a pesca e a comercialização de 64 pirarucus.
A atividade faz parte de dois projetos coordenados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e por universidades locais. Todo o processo está autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e será acompanhado por profissionais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) e de instituições de pesquisa.
Além da atividade pesqueira, os moradores também poderão participar de um curso sobre manejo comunitário, com ênfase na contagem visual de pirarucu e comercialização do pescado, além de palestra sobre desenvolvimento sustentável e fortalecimento comunitário.
De acordo com o especialista em manejo de recurso pesqueiro, Gelson Batista, esta época do ano é ideal para realizar a contagem dos peixes porque o nível dos rios está mais baixo e os lagos ficam isolados. "Os peixes acabam ficando concentrados em determinadas áreas, o que nos permite melhor visualização do comportamento e do quantitativo dos peixes", informou.
O especialista explicou que a contagem é feita com uma técnica tradicional e validada cientificamente. Durante o processo, é feita a observação da área escolhida e a constatação de quantas vezes o peixe subiu à superfície para respirar, num intervalo de 20 minutos. Um pirarucu adulto respira uma única vez em 20 minutos, ao contrário de um jovem que vem à superfície duas vezes. O número de peixes a serem pescados na atividade deste fim de semana corresponde a 30% do estoque pesqueiro adulto existente no local, considerando que a contagem no lago feita no ano passado revelou a presença de uma média de 216 pirarucus adultos.
Os pirarucus são peixes típicos da região amazônica. Podem chegar a 3 metros de cumprimento e pesar 250 quilos. O tamanho mínimo para captura, de acordo com o Ibama, é de 1,5 metro. Também conhecido como "o bacalhau da Amazônia", o peixe é um dos maiores de água doce do mundo. O nome vem de um termo indígena, pira, que significa peixe, e urucum, vermelho, devido a cor que de sua cauda. Os ovos das fêmeas também são consumidos e a pele pode ser aproveitada na produção de sapatos, bolsas e roupas. Suas escamas também podem ser aproveitadas, sendo usadas como lixa de unha ou na confecção de ornamentos, e sua língua, óssea e áspera, é largamente utilizada para ralar os frutos do guaraná.
A preocupação com a presevação do pirarucu já dura pelo menos 30 anos, mas o manejo da espécie no Amazonas só começou no ano 2000. A intensificação da pesca comercial nos rios da região provocou impacto nas populações de peixes, situação agravada em função das características biológicas dos pirarucus, que não favorecem uma recuperação rápida de sua população.
Diferentemente de outras espécies tradicionais de peixes na Amazônia, como o tambaqui e o jaraqui, que são capazes de trazer ao meio ambiente 1 milhão de filhotes a cada desova, o pirarucu só tem mil peixes de cada vez. E enquanto o jaraqui precisa de apenas um ano para atingir a idade adulta e se reproduzir, o pirarucu leva cinco anos, fator que também influencia no número de espécies existentes no meio ambiente aquático.
Outra característica da espécie é o fato de apresentar o cuidado parental, ou seja, de tomar conta de seus descendentes, o que não acontece com as outras espécies citadas. Em função disso, declara Batista, os projetos de manejo são fundamentais para a conservação das espécies, contribuindo diretamente para o aumento no número de peixes, como acontece na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá.
Depois de Itacoatiara, a atividade seguirá para Silves (AM), onde também serão promovidas a contagem e a pesca da espécie pelas comunidades que vivem nas áreas de manejo, com a ajuda dos especialistas.
Fonte: Agência Brasil

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