Porto Velho (RO) sábado, 28 de março de 2020
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Meio Ambiente

Manejo de jacaré


"Não existe cadeia produtiva de jacarés na Amazônia se o conhecimento científico é limitado".  A declaração é de Ronis da Silveira, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), feita durante o simpósio "O manejo e a conservação de jacarés", que integra a programação do 3º Congresso Brasileiro de Herpetologia, realizado no Hangar, até esta sexta-feira, 20.
Ronis da Silveira estuda a caça, o manejo, a ciência e a cadeia produtiva de jacarés na região.  O pesquisador destaca a necessidade de elaboração de uma lei de manejo sustentável de jacarés.  Na opinião do pesquisador, isso só será possível quando houver a reunião de políticas públicas, conhecimento tradicional e conhecimento técnico-científico sobre o assunto.
A importância de aliar conhecimento científico e tradicional para manter o jacaré um recurso natural ambientalmente sustentável e torná-lo economicamente viável para as comunidades tradicionais da Amazônia foi o principal tema do simpósio.  O evento foi coordenado pelo pesquisador George Rebelo, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), de Manaus.
Num total de cinco trabalhos apresentados, o simpósio iniciou com a fala de William Vasconcelos, do Inpa, que tratou da identificação das populações de jacarés da bacia amazônica.  Já Adriana Malvásio, da UFT (Universidade Federal do Tocantins), apresentou o "Estudo das Populações de Caiman crocodilus e Melanosuchus niger no rio Javaés".
A pesquisa revela a distribuição dessas espécies ao longo de praias, barrancos e lagos do Javaés.  Malvásio identificou a densidade e a estrutura populacional pelo tamanho dos popularmente conhecidos jacaretinga e jacaré-açu, respectivamente.

Comercialização legal
Além dos estudos das populações de jacarés, o manejo e a conservação desses animais também compuseram a pauta de discussões.
Sônia Canto, da Afloram (Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis da Amazônia), apresentou projeto de manejo experimental de jacarés (Melanosuchus niger) desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
O projeto que futuramente constituirá um programa dentro da reserva visa à conservação da espécie e seu aproveitamento na geração de renda no interior do Amazonas.
Sônia Canto destacou ainda que o projeto permite que a comercialização legal da carne de jacaré, originada do manejo e não da criação.
"O projeto vive do abatimento autorizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) e pelo Ministério da Agricultura", comentou a pesquisadora.
A prática legalizada viabiliza a comercialização da carne e a aceitação do couro pela indústria.  "É a primeira vez que o couro do jacaré é comercializado legalmente, desde 1967, quando foi instituída a lei 5.197 –a Lei da Fauna", complementou Sônia Canto.
O manejo de jacarés também foi o foco da apresentação do coordenador do simpósio, George Rebelo, do Inpa.  Rebelo trabalha com iniciativa de manejo comunitário na região do Tapajós.
Seu estudo denominado "Elaboração de um Plano de Manejo Comunitário de Jacarés na Várzea de Santarém (PA)" resultará em plano de manejo participativo, de base comunitária, com pouca dependência na assessoria de pesquisadores.  Pela proposta, a autonomia da comunidade garantirá, por si, a implementação e a manutenção da exploração.
A idéia do pesquisador é fortalecer as comunidades locais e preparar uma cartilha sobre manejo, aumentando o número de publicações sobre o tema e exercendo pressão para que o Ministério do Meio Ambiente estabeleça uma política de manejo para jacarés.

Fonte: Jornal do Commercio - Amazonia.org

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