Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Inpa discute projeto que avaliará quantidade de mercúrio em rios da Amazônia


O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) discute cooperação para participar de um projeto sobre o desenvolvimento de biomarcadores de toxidade do mercúrio em cinco rios da bacia Amazônica. Os detalhes da cooperação foram debatidos em reunião que aconteceu no fim da tarde desta quarta-feira (20), na sede do Instituto em Manaus (AM).

O projeto, que conta com a participação das Universidades de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/Goiás), foi financiado pela Energia Sustentável do Brasil por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (P&D/ANEEL).

De acordo com Ézio Sargentini, pesquisador representante do Inpa na cooperação, a área de atuação será nas bacias dos rios Negro e Madeira, Tocantins, Branco e Tapajós. Segundo o pesquisador, a cooperação científica já foi firmada. “Todos nós chegamos a um acordo, faltam apenas questões jurídicas. Nessa parceria vamos atuar de várias formas, tanto no conhecimento e tecnologia como na troca de informações entre as instituições”, disse.

A pesquisa

Os estudos baseiam-se na criação de mecanismos de vigilância toxicológicos associados ao mercúrio para garantir a saúde da população ribeirinha. “A ideia é encontrar biomarcadores que possam refletir alterações no ambiente em curto espaço de tempo e a partir daí criar índices de vigilância que poderão ser adotados em novos empreendimentos hidrelétricos no setor na região amazônica”, explica o pesquisador da UnB, Luiz Fabrício Zara.

Ainda de acordo com Zara, a pesquisa irá utilizar um novo biomarcador para medir os níveis de mercúrio em diferentes amostras: “Para o desenvolvimento desse novo biomarcador iremos utilizar uma tecnologia chamada de Metalômica, que é onde você separa as suas proteínas e busca depois possíveis metaloproteínas (proteínas que contém um ou mais íons metálicos em sua estrutura). É uma interface entra biologia e a química analítica. Com isso iremos trabalhar com amostras de peixe e leite materno”.

A escolha do peixe, segundo o pesquisador, está diretamente relacionada à cadeia alimentar. Antes do peixe ser consumido, ele já acumulou (por meio da biomagnificação e bioacumulação) um alto teor de mercúrio em sua estrutura, podendo assim apresentar uma ameaça para a população que o consome. Se tornando um bioindicador, as proteínas do peixe serão extraídas e separadas em busca da maior ligação de proteínas com o mercúrio.

“A outra fonte, direcionado para o leite materno, é devido à necessidade de aprofundarmos esse conhecimento do mecanismo de transferência desse metal, que é neurotóxico, via o leite. O potencial de toxidade nessa primeira fase da vida criança é grande”, alerta o pesquisador.

Após o consumo do peixe pelo homem, o mercúrio presente na espécie pode atacar o sistema nervoso central. Os sintomas podem ser reconhecidos com tremores, perda de visão periférica, de olfato, de paladar e em alguns casos, levar a morte. “Por isso é importante entender a dinâmica do mercúrio associada à expansão do setor hidrelétrico”, conclui Zara.

Fonte: Raiza Lucena / INPA

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

MPRO discute prevenção a incêndios e possíveis impactos do super El Niño em Rondônia durante reunião no TCE

MPRO discute prevenção a incêndios e possíveis impactos do super El Niño em Rondônia durante reunião no TCE

Os possíveis impactos do fenômeno climático Super El Niño em 2026 e as estratégias de prevenção, combate e resposta a incêndios florestais e eventos

Manaus sedia lançamento de obra nacional sobre justiça climática e socioambiental

Manaus sedia lançamento de obra nacional sobre justiça climática e socioambiental

Manaus foi palco, nesta terça-feira (09/06), do lançamento da obra coletiva que documenta a atuação da Defensoria Pública na Conferência das Nações

Fenômeno natural El Niño aumenta risco de queimadas durante a estiagem em Porto Velho

Fenômeno natural El Niño aumenta risco de queimadas durante a estiagem em Porto Velho

Estudos realizados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e demais órgãos de monitoramento climático apontam

Na Semana do Meio Ambiente, governo de RO promove ações integradas de conscientização ambiental em Porto Velho

Na Semana do Meio Ambiente, governo de RO promove ações integradas de conscientização ambiental em Porto Velho

A Semana do Meio Ambiente segue reunindo uma série de ações voltadas à conscientização ambiental e à preservação dos recursos naturais em diferentes

Gente de Opinião Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)