Porto Velho (RO) terça-feira, 7 de abril de 2020
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Inpa desenvolve tijolo vegetal a partir de 'restos' da floresta


 
Para findi - Pesquisadores do Inpa desenvolvem tijolo vegetal a partir de "restos" da floresta

Amanda Mota
Agência Brasil


Manaus - Depois de oito meses de trabalho com o ouriço e com a casca da castanha do Brasil e com os caroços do coco e do tucumã  (um tipo de palmeira tradicional na Amazônia), um grupo formado por quatro pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) desenvolveu um tijolo diferente, mas com o mesmo propósito do tijolo convencional, feito com argila.

De acordo com o mentor da idéia, o pesquisador Jadir Rocha, o resultado das pesquisas foi o tijolo vegetal, resultado de um processo de trituração das matérias-primas naturais trabalhadas nesses oito meses e que são consideradas como restos florestais da região, já que não têm serventia depois que suas polpas são consumidas. Ele garante que o artefato pode ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas destaca suas características naturais, ressaltando que poderiam ser melhor aproveitadas na própria região amazônica.

"Esse tijolo poderá ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas é mais apropriado em construções de até quatro andares e para a nossa região. Como se trata de um material que naturalmente é um isolante térmico, ele proporciona um ambiente agradável para as construções feitas em lugares de alta temperatura, como é na Amazônia", declarou.

Rocha destacou também que o tijolo vegetal é feito com tecnologia limpa, ou seja, para seu processo de produção não há necessidade de queima de madeira e conseqüentemente de desmatamento da floresta.

"Esse tijolo é feito com tecnologia limpa, ou seja, com matéria-prima natural e sem que se tenha que derrubar uma árvore. Outra vantagem é que, na produção não se utiliza lenha, como na produção dos tijolos convencionais que para ficar prontos precisam de fornos e, logicamente, de lenhas. Com isso, preservamos mais a floresta e não geramos gases para o efeito estufa. É uma pesquisa que é fundamentada nos padrões de sustentabilidade ambiental", acrescentou.

Outra vantagem apontada é rapidez na montagem dos tijolos vegetais, que não precisam de cimento. "Por possuir um sistema de encaixe, é possível montar uma casa popular, desde que esteja com as vigas, pilares – só faltando elevar as paredes  e divisórias – então é possível fazer uma montagem de cinco mil tijolos em oito horas", finalizou Rocha.

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