Porto Velho (RO) segunda-feira, 6 de abril de 2020
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Meio Ambiente

Estiagem pode se agravar em esse ano em Rondônia



Estudo feito por base de dados da NASA revela que a fumaça das queimadas registradas em 2007 interferirá diretamente no regime de chuvas em 2008.

Daniel Panobianco - A Amazônia sem fogo todos os anos seria quase tão impossível quanto a um furacão no continente antártico. Hoje, entretanto, a Amazônia é uma região de fronteira onde a população local queima centenas de milhares de hectares todos os anos para o avanço da pastagem para o gado e das terras agrícolas. Sem falar nos focos acidentais que degradam outros milhares de hectares.

As decisões sobre o futuro da maior floresta equatorial do mundo, onde 62% da área ainda está em pé, cabe à população local da Amazônia e não só dos governantes. Mas em um planeta cada vez mais aglomerado é inevitável que o homem não explore com fogo a maior floresta úmida, rica em biodiversidade de espécies e ao mesmo tempo, altamente responsável pelas emissões de dióxido de carbono das queimadas.

Os estudos recentes coordenados pelo pesquisador e cientista atmosférico Ilan Koren, do Instituto de Weizmann da Ciência, comprovam o monitoramento realizado nos anos anteriores, de que a atmosfera poluída de uma queimada recente é capaz de "barrar" o progresso de formação e continuidade das chuvas na Amazônia.

O estudo colheu amostras em solo e altitude dos diferentes níveis de poluição e aerossóis lançados na região do rio Negro, no Amazonas. Durante o período de chuvas de 2004, a atmosfera foi perplexa no comportamento das precipitações. Com menos CO2 (Dióxido de Carbono) no ar, as nuvens tiverem maior número de dias de desenvolvimento localizado e consequentemente, maior acúmulo em precipitações generalizadas.

De julho de 2004 em diante, a concentração de fumaça na Amazônia foi além do esperado. O resultado de tanta poluição na atmosfera foi um ano de 2005 extremamente seco, onde o colapso tomou conta da região, com visões de uma seca dignas de Apocalipse.

O mesmo pesquisador Koren colheu dados em 2006 do aumento gradual dos aerossóis, principalmente na porção sul-amazônica, entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso. O alerta do pesquisador foi levado às instituições brasileiras, que compõem o serviço de monitoramento e rastreamento do clima amazônico, mas ninguém quis levar uma tese tão maluca até então, adiante.

O efeito comprobatório foi de que a mesma região observada em 2006 com altos índices de aerossóis na Amazônia foi a mesma a ser atingida por uma forte estiagem, cujas cenas, toda a população de Rondônia cansou de ver em meio aos noticiários, mas mesmo assim, os centros de pesquisas aqui fincados preferiram continuar como se nada tivesse acontecendo.

Em julho de 2007, as partículas de CO2 presentes na atmosfera já ditavam que o inicio da estação chuvosa seria tardia, um motivo a mais para um possível aprofundamento nos estudos dos nossos pesquisadores locais, mas mesmo assim, com cenas, situações comprovando e muito bate boca em público, ninguém levou o caso adiante.

Foi comprovado que, quanto maior a quantidade de aerossóis na atmosfera da Amazônia, menos será a incidência de chuvas na região.

O mesmo pesquisador Ilan Koren, que foi ignorado em 2007 pelas suas percepções de uma estiagem anormal em Rondônia e Mato Grosso, após concluir os dados das taxas de poluição acumuladas entre julho e outubro de 2007, faz um novo alerta sobre o que podemos esperar do período de seca em 2008. Mesmo que os eventos de larga escala, que mudam radicalmente a direção dos ventos na alta atmosfera como El Niño e La Niña não estejam configurados com intensidade, apenas o teor de CO2 presente na atmosfera é capaz de expor dados alarmantes sobre a próxima estação que não logo terá inicio.

As ações de combate ao desmatamento dos governos agora certamente não serão capazes de minimizar os efeitos de mais um período seco e árduo em Rondônia. O desmatamento continua, a corrupção no controle e fiscalização das madeireiras é notória, os centros de pesquisas regionais continuam passivos de estudos e monitoramento e a chuva diminui a cada ano. O que esperar do verão amazônico em Rondônia este ano?

Dados: Earth Observatory, NASA/NOAA - Instituto de Weizmann da Ciência
Fonte: AMAZONIAOVIVO.COM

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