Sábado, 10 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Entenda a diferença entre desmatamento e manejo florestal

Extração controlada de madeira é prática legal, sustentável e importante fonte de renda de populações ribeirinhas da Amazônia


Manejo florestal segue critérios estipulados por lei (Foto: Everson Tavares) - Gente de Opinião
Manejo florestal segue critérios estipulados por lei (Foto: Everson Tavares)

A transformação de áreas verdes em pontos amarronzados em imagens de satélites produzidas por órgãos de monitoramento demonstra o crescimento do desmatamento no Brasil, um grave problema causado pela indústria ilegal de grãos, madeira e gado na Amazônia, bioma que além de ser um dos mais ricos do mundo em biodiversidade, abriga milhares de comunidades ribeirinhas e indígenas.

Existe, entretanto, um modo sustentável de extrair madeira da floresta amazônica e que também serve como importante fonte de renda a essas populações, que são historicamente desassistidas pelo poder público.

Conheça as principais diferenças entre o desmatamento e o manejo florestal:

O desmatamento é a devastação da floresta para indústria madeireira ilegal, abertura de pastagens para criação de gado ou cultivos agrícolas de monocultura. Tecnicamente, é denominado de ‘corte raso’.

Os efeitos do corte raso são muitos e atuam como efeito cascata: põe sob risco a qualidade do solo e da água, além da fauna e flora. Os desequilíbrios causados nos ecossistemas implicam em intensificação do aquecimento global e, por consequência, seus efeitos.

“O desmatamento é a subtração total da floresta e quando isso acontece toda a diversidade biológica daquela área é extinta”, explica a engenheira florestal do Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, Emanuelle Pinto.

Por outro lado, o manejo florestal é, como explica a técnica, uma forma ordenada de utilizar a floresta. É regulamentado por legislações federal, estaduais e, em alguns casos, municipais.

“Tudo é feito por etapa”, diz. A primeira é o inventário florestal, que determina as espécies, as quantidades e a produtividade da floresta.  Após esse levantamento, estipula-se outros critérios para a seleção de corte das árvores.

Um deles, por exemplo, é a manutenção de 10% do número de árvores por espécie com diâmetro mínimo de corte, sendo respeitado o limite mínimo de 3 árvores por espécie por 100 hectares. O diâmetro de corte do assacu (Hura crepitans), por exemplo, é de 100 cm. Menor que isso não é permitido o corte. Se são encontradas 30 árvores da espécie com a especificação, três devem ser mantidas.

Outro parâmetro seguido é a diversidade de espécies na extração de madeira. “Fazer o manejo de uma única espécie exerce muita pressão sobre aquela população, então quanto mais diverso for o manejo, melhor a capacidade de recuperação da floresta após um distúrbio.”

Para o manejo acontecer, um plano de manejo florestal é elaborado com base em pesquisas realizadas com o objetivo entender as características biológicas e socioeconômicas da região onde deverá ser implementado.

O plano também prevê técnicas adequadas de corte, o que previne o excesso de danos à floresta, o desperdício de madeira. Também inclui a utilização de equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs.

Fonte de renda e manutenção da biodiversidade

“O manejo florestal é uma fonte importante de renda e uma forma legalizada de utilizar o recurso da floresta.  Sem fazer esse plano, será que eles vão deixar de fazer essa extração? ”, questiona Emanuelle, que complementa e ressalta: “é importante que eles usem o recurso de forma legal. ”

Por ser uma prática de extração alternativa e também por envolver as populações tradicionais, principais zeladoras da Amazônia, o manejo também serve como ferramenta de combate ao desmatamento e assim colabora para a manutenção da biodiversidade de uma das principais florestas do mundo.

Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá

O Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, organização social do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), realiza capacitação, assessoria, monitoramento e pesquisas em manejo florestal na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada na região do Médio Solimões, no estado do Amazonas.

Manejo florestal segue critérios estipulados por lei (Foto: Everson Tavares) - Gente de Opinião
Manejo florestal segue critérios estipulados por lei (Foto: Everson Tavares)

Gente de OpiniãoSábado, 10 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Um canto incomum ouvido na Serra do Divisor, no estado do Acre, na fronteira com o Peru, levou o biólogo e ilustrador Fernando Igor de Godoy, doutor

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Com o objetivo de fortalecer a preservação das espécies nativas da região amazônica e garantir a biodiversidade, 228 mil filhotes de tartarugas-da A

Gente de Opinião Sábado, 10 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)