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Meio Ambiente

Embrapa participa de levantamento de sementes crioulas em Rondônia



A Embrapa Rondônia, uma das 45 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participa de um levantamento inédito que pretende catalogar sementes crioulas cultivadas no Estado. O trabalho envolve as diferentes instituições organizadas na Articulação Rondoniense de Agroecologia (Aroa) e conta com recursos do PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Até o mês de maio serão feitos ao menos 250 cadastros que serão posteriormente disponibilizados aos agricultores para incentivar o comércio ou a troca de sementes e experiências.

O projeto teve como embrião o I Festival da Semente Crioula, realizado em agosto de 2008 em Ouro Preto do Oeste, região Central de Rondônia, onde os produtores trocaram sementes coletadas e cultivadas em suas propriedades. O evento fez parte da programação do I Encontro Estadual de Agroecologia, que contou com a participação de extrativistas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, assentados da reforma agrária, pescadores, além de estudantes, técnicos e profissionais de órgãos do governo.

José Orestes Merola de Carvalho, pesquisador da Embrapa Rondônia e um dos organizadores do evento, lembra que a partir da experiência surgiu a ideia de montar um projeto para registrar essas sementes, com o contato e a localização de seus respectivos produtores. “O objetivo é facilitar a troca desse patrimônio genético guardado pelos próprios agricultores e dessa forma estimular modelos alternativos de cultivo”, explica o pesquisador, que estuda as experiências agroecológicas praticadas no Estado.

O projeto está agora na fase de coleta de dados. São feitas reuniões com as comunidades de agriculores para explicar o objetivo e a metodologia da pesquisa. Em um segundo momento cada produtor que utiliza sementes crioulas e tenha interesse em participar preenche uma ficha, com dados como endereço, telefone, nome da planta, variedade, tipo de uso e porte. A origem da semente, como ela é armazenada e a quantidade disponível para comércio ou troca também fazem parte do levantamento.

As sementes podem ser de plantas nativas ou exóticas, perenes, anuais, bianuais, com funções ambientais ou de espécies florestais. “O importante é que se fortaleça essa troca entre os produtores, para que não se perca um material genético que pode ser único e valioso”, explica o pesquisador José Orestes.

Os dados serão organizados e posteriormente disponibilizados gratuitamente aos produtores. Lideradas pela Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua, as atividades são realizadas com recursos do projeto Sustentabilidade e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade, financiado pelo PUND e executado pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é implementar os dispositivos da Convenção sobre a Diversidade Biológica e salvaguardar o patrimônio biológico do país para as futuras gerações. 

Fonte: Embrapa / Daniel Medeiros (SC-02735-JP)

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