Segunda-feira, 15 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia segue como preocupação


Kelly Oliveira
Agência Brasil


Brasília - O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) divulga hoje (17), na Espanha, uma síntese dos documentos anteriores, voltada para governos e políticos. O desmatamento na Amazônia segue como principal preocupação de cientistas com o Brasil.

Para o pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante do IPCC, Paulo Artaxo “não é correto” deixar só com o país a tarefa de manter “a Amazônia de pé”. “Uma nova ordem mundial vai ter que se estruturada para lidar com esses problemas”, disse.

O especialista lembrou que a distribuição das riquezas do nosso planeta é “muito injusta” e precisa ser revista. “Um americano médio emite mais de 10 vezes o que um brasileiro médio emite e quase 50 vezes mais do que um indiano e chinês. Essa desigualdade é impossível de ser mantida.”

Artaxo enfatizou ainda a necessidade de se implementar políticas públicas para reduzir de forma mais intensa o desmatamento da Amazônia. “O grande Calcanhar de Aquiles do Brasil é a questão do desmatamento da Amazônia que continua de uma maneira completamente descontrolada.”

Segundo o pesquisador, apesar da redução nos últimos três anos da taxa de desmatamento de 20 mil quilômetros quadrados por ano para 10 mil quilômetros quadrados por ano, ainda há muito o que fazer. “Dez mil quilômetros quadrados de destruição de floresta é uma área absolutamente intolerável para a população brasileira.”

Para Artaxo, o governo brasileiro tem que frear o processo de ocupação desordenada da Amazônia, o avanço da cana-de-açúcar e da pecuária sobre a região, e atuação de madeireiros.

Apesar disso, ele afirmou que o Brasil tem vantagens estratégicas devido à implantação do programa do álcool e matriz energética com base em recursos renováveis.

“O Brasil tem potencial de se tornar de uma potência ambiental muito grande, mas precisamos ser mais espertos e inteligentes e usar os nosos recursos naturais de uma maneira esperta. Usar economicamente a floresta sem destruí-la.”

No caso das indústrias, Artaxo defendeu aumento da eficiência energética e criação de mecanismos para compensar as emissões de carbono. Segundo o especialista, o cidadão também pode contribuir com a substituição da gasolina (que emite poluentes para a atmosfera) pelo álcool, por exemplo.

“O álcool, do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa dá uma contribuição praticamente desprezível para o efeito estufa”, lembrou o professor. Outras atitudes enumeradas por Artaxo são a redução do consumo de água e energia e o uso de materiais recicláveis.

“Você pode imaginar que é uma contribuição pequena, mas se multiplicar isso por bilhões de pessoas do nosso planeta pode fazer a toda a diferença. Mas é importante entender que a maior parte depende de políticas públicas, como a redução do desmatamento da Amazônia.”

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 15 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Ibama define nova prioridade para enfrentar perdas na biodiversidade e a crise climática

Ibama define nova prioridade para enfrentar perdas na biodiversidade e a crise climática

Neste ano em que completa 35 anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) comemora o impacto do trabalho

Megaoperação destrói infraestrutura criminosa na Terra Indígena Yanomami

Megaoperação destrói infraestrutura criminosa na Terra Indígena Yanomami

As Forças de Segurança do governo brasileiro estão em ação conjunta ao redor e dentro da Terra Indígena Yanomami para impedir atividades criminosas

Projeto do CIMCERO e TJ-RO amplia estrutura para beneficiar viveiros em Rondônia

Projeto do CIMCERO e TJ-RO amplia estrutura para beneficiar viveiros em Rondônia

A parceria entre o Consórcio Público Intermunicipal de Rondônia (CIMCERO) e o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia tem incentivado junto as pre

Gente de Opinião Segunda-feira, 15 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)