Quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Deserto em Rondônia poderá surgir em áreas desmatadas



A desertificação já pode ser constatada em diversos pontos do Estado, mas a situação está pior em Pimenta Bueno, a 560 quilômetros de Porto Velho.  A areia é visível em trechos onde antes havia floresta.  No solo seco, agora só crescem arbustos e mato.

Durante as chuvas, parte do areal nas imediações da cidade fica alagado e pode ser usado para cultivar arroz - desde que o solo seja tratado.

Alguns quilômetros ao sul, ainda em Pimenta Bueno, a situação se complica mais.  Com o desmatamento, em lugares onde antes havia árvores com mais de 40 metros há agora areia e erosão.  Técnicos em meio ambiente explicam que em diversas áreas a única alternativa para combater a desertificação é parar já todas as derrubadas.

Depois de suprimida, a vegetação nativa não volta a crescer, devido à qualidade do solo e à falta de água.  Durante o inverno ainda há pasto no lugar, mas no verão tudo seca.

No distrito de Urucumacuã, um areal tomou conta de diversos pontos onde a floresta foi devastada.  Utilizando adubo e calcário para corrigir a acidez do solo é possível plantar abacaxi.

Outro local onde já aparece areia é em Vilhena, a cerca de 700 quilômetros de Porto Velho.  Na saída da cidade, uma vegetação rala se formou em cima de um areal.

Se o desmatamento não for reduzido, alertam especialistas, em menos de dez anos essas áreas poderão constituir um verdadeiro deserto.

O alerta para a possibilidade de desertificação na Amazônia havia sido dado na década de 90, com a implantação do Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planafloro).  Técnicos do programa constataram que em Rondônia há diversos pontos onde o solo é paupérrimo.  Sem cobertura vegetal, em algumas áreas não crescerão árvores novamente.

Análises de solo confirmaram que podem aparecer desertos também em Cujubim, a cerca de 200 quilômetros a oeste de Porto Velho, e em Nova Mamoré, a aproximadamente 280 quilômetros a noroeste da capital.  A ação de madeireiras tem sido intensa nesses locais.

Nesses pontos, há uma fina camada de terra em cima de areia.  A floresta se alimenta de si mesma, principalmente das folhas que caem.

Tiro no pé
O problema é agravado porque alguns madeireiros promovem derrubadas ilegais em locais onde não deveria ser retirada nenhuma árvore, por causa do solo pobre.

Outro problema causado pelo desmatamento é o assoreamento.  Isso acontece porque na Amazônia há muitos lugares onde há mais água na superfície do solo do que embaixo.  Quando a cobertura vegetal é retirada, a água evapora.  Nos locais onde o solo é arenoso, aparecem os desertos.

Em áreas como União Bandeirantes, distrito de Porto Velho, não são permitidas derrubadas porque estudos do Planafloro apontam para uma área muito frágil.  Apesar disso, muita madeira já foi retirada daquele local.

Fonte: Amazonia.org.br

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Com o objetivo de fortalecer a preservação das espécies nativas da região amazônica e garantir a biodiversidade, 228 mil filhotes de tartarugas-da A

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Soltura de Quelônios no vale do Guaporé

Há cerca de 39 anos atrás um Quilombola, nascido no Vale do Guaporé, preocupado com o possível extermínio dos Quelônios (Tracajás, Tartarugas e outr

Gente de Opinião Quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)