Sábado, 17 de maio de 2008 - 12h45
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus
Pescadores colombianos estão financiando caçadores brasileiros para capturar, nos rios da Amazônia ocidental, botos e jacarés que servirão de isca para a pesca, segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Não se sabe exatamente quantos animais são mortos por ano, pois a maior parte da piracatinga - o peixe que é pescado usando botos e jacarés como isca - é exportada para Colômbia por contrabando.
Mas especialistas alertam para o risco para populações de botos e jacarés. Eles estimam que os pescadores capturem, usando como isca um jacaré adulto, cerca de 1,5 tonelada de piracatinga. Já com um boto adulto, são pescados cerca de 300 quilos do peixe.
No entorno das reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Anamã (AM), ribeirinhos também estão sendo aliciados pelos colombianos para a matança. As espécies mais visadas são o boto vermelho (Inia geoffrensis) e o jacaré-açu (Melanosuchus niger).
Coordenadora do Projeto Boto do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Vera Silva afirma que o boto é uma espécie que vive de 35 a 40 anos, mas atinge a maturidade tardiamente. "As fêmeas parem um filhote a cada gestação, que dura cerca de 11 a 12 meses. Uma retirada indiscriminada pode levar rapidamente a uma redução drástica", disse.
Para usar botos e jacarés como isca, os caçadores cortam a cabeça, as nadadeiras e caudas dos animais e utilizam o corpo, sem as vísceras, para atrair a piracatinga -que é um peixe necrófago e conhecido como "urubu d'água". Na Colômbia, onde é chamada de mota, a piracatinga custa R$ 16 o quilo.
O pescador brasileiro ganha R$ 0,80 pelo quilo de piracatinga vendida na Amazônia.
Segundo o Ibama, os botos e jacarés são capturados durante a madrugada, para fugir da fiscalização. Eles são achados nos rios Içá, Japurá, Jutaí e Juruá, afluentes do rio Solimões, na fronteira com a Colômbia.
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