Terça-feira, 17 de junho de 2008 - 13h52
A ausência de linhas de crédito e de políticas públicas claras para a agropecuária está gerando uma nova crise, com reflexos já sentidos em Rondônia quinto maior produtor nesse setor no país onde novilhas com apenas 10 arrobas, e vacas leiteiras estão sendo vendidas para conter prejuízos ao produtor. O alerta foi feito nesta terça-feira (17), pelo deputado federal Ernandes Amorim (PTB), em discurso na Câmara.
Essa situação, afirma o parlamentar, vai provocar desabastecimento no mercado e, como conseqüência o aumento de preços ao consumidor. No que pese a evolução da pecuária em Rondônia, que detém um plantel bovino de 11 milhões de cabeças, a atividade, segundo Amorim, tem sido de contrastes. "A pecuária brasileira cresce e é uma das esperanças do mundo para o aumento da produção de proteínas vermelha. Temos instituições de ensino de qualidade, investimentos em tecnologia, profissionais capacitados, mão de obra farta, clima favorável e área para a atividade, mas falta uma política que atinja todos os segmentos da produção de carne e leite, presente em mais de 5 milhões de propriedades brasileiras".
Dados da FAO Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - usados por ele, atestam que a oferta de carne bovina esse ano atingirá o recorde de 69 milhões de toneladas, contra os 50 milhões de toneladas produzidas na década passada. Nesse mesmo período, ressalta o parlamentar, a economia mundial cresceu mais de 20% e a população ganhou mais de 300 milhões de consumidores. "O que nos leva a uma conclusão implacável: toda a produção de proteína vermelha já não está conseguindo atender a demanda do planeta, apesar de todo o ganho de escala em produtividade".
Para Amorim, a pecuária precisa de incentivos e apoio, por se tratar de uma atividade que não disputa alimentos com os seres humanos. "Nosso rebanho consome capim, ao contrário da Europa e Estados Unidos que usam grãos. Em que pese o quadro aparentemente favorável, continuamos pecando dentro e fora das porteiras: os repetidos embargos a nossa carne no mercado internacional, provocado pela fragilidade dos nossos controles sanitários e ambientais, é apenas um dos vários problemas que envolvem a nossa logística de produção, uma fiscalização ineficiente, um regulamento de inspeção complicado e ultrapassado, datado de mais de meio século, a falta de força política dos produtores rurais, e a unicidade dos regulamentos de fiscalização e inspeção, a rastreabilidade precária, nos leva a baixa credibilidade no exterior". Amorim afirma ainda que aliado a todo esse quadro está a ausência de políticas ao setor, principalmente crédito e apoio a comercialização
Fonte: Yodon Guedes
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